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Viagens paralelas [Lua nova em Virgem]

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Caminhei... Comecei a marcha a partir da casinha de madeira com a lareira acesa e as cores das labaredas a vibrarem. Os pés descalços percorrem a estrada desenhada a preto e branco. No tornozelo esquerdo as flores de metal presas à pulseira dançam ao sabor do movimento dos pés. Chegada à piscina, sou desafiada a mergulhar. Ele espera-me no fundo revelando-me uma caixa entreaberta onde jaz um colar de pérolas.  Com o impulso da vontade (quiçá raiva!) rebento as estruturas de mármore e a água transborda tornando-se a piscina num lago. Sigo para a direita. Vejo-me, eu mesma fora de mim. Outro eu que sou eu.  Meia mulher meio tubarão. Meia mulher meio veado.  Somos tri, somos uma. Os meus outros "eus" circulam-me. Não os posso negar, somos indissociáveis. Tenho de aceitar a luz. Tenho de aceitar a sombra. Tenho de equilibrar a polaridade. Recolho ao meu leito. Preparo-me para dormir. A lua nova em virgem ocorre à 1h52. Vejo-o com outra. Abandona-me, rejeita-me, neg...

A olhar para cima

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O meu grande compromisso é para comigo mesma. E o novelo vai ser desfiado… Os nós são desembaraçados… Que grandioso trabalho aquele que é executado pelas nossas próprias mãos!! E camada a camada, a pele etérea é renovada. Escamas de um passado repousam no fundo do oceano. A água já não é negra, mas azul como a cor do céu num dia de sol. Os olhos já não olham para baixo, mas para cima. E eu, nesta sucessão de lutas internas, deixo de ser observada para passar a observar. À medida que a lua míngua, vou acalmando. Mas não é uma calma inerte, nem uma calma que não encerre em si mesma o renascimento e o parto de mim mesma. Há ação na paragem, há criação no repouso. Há vida...

Tubarão

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Mergulhei fundo esta noite. Lembranças camufladas foram sussurradas ao meu ouvido enquanto me deixava cair no inconsciente. O Dragão de Água, pousado no meu altar, antecipava a intensidade do que viriam a ser os meus sonhos. Vi-me a caminhar numa praia, acompanhada por uma mulher, as duas vestidas com túnicas pretas. O mar estava revolto. O vento era forte, fazendo sacudir a areia. A dado momento disse-lhe: “Temos de nos ir embora, a maré vai subir depressa.” Tentámos apressar o passo, mas o vento e a subida rápida das águas tornavam difícil a nossa caminhada. Em pouco tempo, a água já nos dava pelo pescoço. Tínhamos sido apanhadas pelas águas. Nada mais restava a fazer que não fosse mergulhar. Tudo ficou escuro. No mundo subaquático viam-se destroços sem relevância. Apenas umas aparentes lamparinas - que apesar de se encontrarem em água ainda não tinham perdido a sua luz – me chamavam à atenção. Até que o vi.   Grande, majestoso, a vir do fundo do mar com uma boca enorme. ...