Mensagens

A mostrar mensagens de 2026

Gatilho

Imagem
Fui uma criança emotiva. Fui uma adolescente sensível. E trouxe tudo isso comigo para a idade adulta. Reagia por impulso, amuava, chorava… Na altura, não via isso como um problema. Só anos mais tarde percebi que, para quem estava de fora, estas reações podiam ser interpretadas como um sinal de imaturidade. Aprendi a controlar-me. Mas esse controlo trouxe também o reverso da medalha. Autocontrolo. Controlo excessivo. Um controlo ainda mais vincado pela POC que me acompanha. A minha terapeuta diz-me que preciso de aprender a ser mais vulnerável. Mas será que, quando tento sê-lo, não acabo por fazer tudo da forma errada? Meu Deus… como tudo isto pesa. Há dias em que sinto que não me importaria de rasgar a pele, só para que tudo isto deixasse de doer. P.S. Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor

será?

Imagem
Já comecei e apaguei este texto imensas vezes. Quero escrevê-lo porque preciso de o fazer, de verbalizar o que me vai na alma. Mas não é fácil fazê-lo. Hoje, enquanto me encostava ao vidro do comboio e fechava os olhos, admitia para mim mesma o quanto preciso de colo. Há pouco, enquanto me stressava com uma situação no trabalho, desabafava comigo mesma o quanto preciso de colo. Um dia destes pensei que estaria disposta a desabar, se alguém me amparasse. Queria chorar tudo, ralhar tudo, libertar tudo e, depois, adormecer aconchegada nuns braços feitos de amor. Já fui uma menina sonhadora, como aquela versão de dois anos que está retratada no fundo do telemóvel ou a versão adolescente exposta no screensaver. Já fui a menina desejosa de construir uma família e ter sete filhos. (Influência da família Von Trapp.) Não digo que a minha versão adolescente tivesse vergonha da mulher em que me tornei. Mas creio que ela não entenderia. Nem eu entendo. Não entendo como o meu caminho me levou para ...

Destralhar

Imagem
Tenho feito uma limpeza generalizada à minha casa. Mas mais importante do que tirar o pó acumulado, têm sido os imensos sacos repletos de coisas desnecessárias a irem para o lixo. Tenho muita dificuldade em entender por que não o fiz mais cedo. Como poderei eu ter achado que precisava daquelas coisas? Estragadas, ou velhas, ou pouco usadas, ou sujas, ou sem nenhuma utilidade.  Sempre que limpo alguma divisão da minha casa, sinto uma leveza dentro de mim. É como se estivesse a retirar algum do meu lixo interno: necessidades, carências, medos e apegos. (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

Sonhei contigo

Sonhei contigo. Fiquei feliz por te rever. Tinha — e tenho — saudades tuas. Não lamento muito o que disse ou fiz, mas lamento o que não disse. Lamento nunca te ter dito o quão importante eras para mim. Se o tivesse feito, talvez — e apenas talvez — pudesse acrescentar que também é difícil para mim lidar com o facto de seres tão importante. Hoje sei que a ausência se tornou mais confortável do que a presença, porque é à ausência que estou habituada. Sei o que é não quererem estar comigo; a opção inversa ainda me é estranha. Sim, tenho saudades tuas. Muitas. Mas, pelo menos por agora, ainda prefiro que estejas longe. Preciso de me curar, de me resolver por dentro. Preciso de me dar colo. Talvez um dia nos cruzemos novamente. Deixo isso nas mãos de Deus.

Primeiro Post do Ano

Imagem
 Fiz uma pausa no trabalho, pausa que me é devida, mas que eu insisto em não usufruir. Poderei alegar imensos motivos, mas sei que prefiro embrenhar-me na única coisa que pareço dominar – o trabalho – enquanto vou colocando checked na minha lista de tarefas. Entre faturas, e-mails e atualizações de processos, questiono-me se não deveria ir ao ginásio, acabar de ouvir o podcast sobre o Livro de Jó ou voltar a listar, no caderno, os nomes de animais em russo para não me esquecer. A par disso, as compulsões assumem-se. Apetece-me gritar ou sentir as unhas compridas a escarafuncharem na pele, ou as duas coisas. Estou qualquer coisa que não sei definir. E todas estas ideias vêm ao mesmo tempo. Entretanto, volto a duas lembranças do passado que surgem desde que me dei conta de que a “vergonha” é algo que me acompanha há muito tempo. Tinha eu 3 ou 4 anos, quando me perdi na praia da Nazaré. Queria ir à água e, com aquela idade, ainda não sabia que era suposto pedir autorização ou esper...