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Dons espirituais?

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Dons espirituais? Almas velhas? Sabedoria espiritual?   Debati-me muito com estas questões. Como podia ou devia analisar o meu próprio crescimento espiritual? Durante muito tempo associei-o à intuição e mediunidade, características que em mim nunca estiveram muito desenvolvidas.  Lembro-me de questionar se isso me faria menos desenvolvida espiritualmente do que outras pessoas. Quando me afastei do New Age, acabei por encontrar uma serenidade que até então não tinha tido. Tirei o ser humano do centro e coloquei Deus e todas estas minhas questões deixaram de ser relevantes. Estava há pouco a estudar a primeira carta aos Corintios e lembrei-me destas minhas questões antigas. A Igreja de Corinto tinha aparentemente o seguinte problema.  Alguns membros tinham o dom de línguas. Outros não tinham. Quem tinha achava que era melhor do que quem não tinha. Quem não tinha, porque não tinha, desvalorizava o dom de quem tinha.   O eterno problema do ego humano. ...

Imensidão

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Viver é difícil, digo-o como uma constatação.  Já ouvi falar do "saber viver bem", mas o saber viver bem não faz com que a vida seja necessariamente melhor, apenas paramos de lutar contra aquilo que a vida é. Nos últimos dias tenho sentido as coisas com maior intensidade. Posso até afirmar que me sinto bem por ser capaz de sentir, ainda que o que sinto me deixe inquieta. A ansiedade vem trazida pelos sonhos, pelos receios, pelos medos. A ansiedade vem porque sou humana e nem sempre consigo arrumar as fragilidades nas gavetas dos armários que habitam o meu ser. Não tenho grandes expectativas. Não podemos ter tudo o que queremos. Digo a quem tenha coragem para ouvir: há coisas que não são para nós; há coisas que, por mais que tentemos, não teremos. Não é preciso fazer um grande drama disto. Lembro-me de concluir em tempos que a felicidade não é o objectivo da vida, mas um bónus. A felicidade não é um fim em si mesmo. Que ninguém pense que chega a este mundo com o objectivo da a...

"(...) sacrifica a vida nesta busca, mas, (...) uma vez encontrado isto, não haverá mais o que procurar.” [Excertos]

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“Mas o homem é uma criatura volúvel e pouco atraente e, talvez, a exemplo do xadrezista, ame apenas o processo de atingir o objetivo, e não o próprio objetivo. E — quem sabe? —, não se pode garantir, mas talvez todo o objetivo sobre a terra, aquele para o qual tende a humanidade, consista unicamente nesta continuidade do processo de atingir o objetivo, ou, em outras palavras, na própria vida e não exatamente no objetivo, o qual, naturalmente, não deve ser outra coisa senão que dois e dois são quatro, isto é, uma fórmula; mas, na realidade, dois e dois não são mais a vida, meus senhores, mas o começo da morte. Pelo menos, o homem sempre temeu de certo modo este dois e dois são quatro, e eu o temo até agora. Suponhamos que o homem não faça outra coisa senão procurar este dois e dois são quatro: ele atravessa os oceanos a nado, sacrifica a vida nesta busca, mas, quanto a encontrá-lo realmente... juro por Deus, tem medo. Bem que ele sente: uma vez encontrado isto, não haverá mais o que p...

"(...) divórcio da humanidade" // Milan Kundera (1929-2023)

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"Ainda tenho nos olhos a imagem de Tereza sentada num tronco, a afagar a cabeça de Karenine e a meditar no fracasso da humanidade. Ao mesmo tempo, aparece-me outra imagem: a de Nietzsche a sair de um hotel de Turim. Vê um cocheiro a vergastar um cavalo. Chega-se ao pé do cavalo e, sob o olhar do cocheiro, abraça-se à sua cabeça e desata a chora. A cena passava-se em 1889 e Nietzsche, também ele, já se encontrava muito longe dos homens. Ou, por outras palavras, foi precisamente nesse momento que a sua doença mental de declarou. Mas, na minha opinião, é justamente isso que reveste o seu gesto de um profundo significado. Nietzsche foi pedir o perdão por Descartes ao cavalo. A sua loucura (e, portanto, o seu divórcio da humanidade) começa no instante em que se põe a chorar abraçado ao cavalo." A Insustentável Leveza do Ser

"Não sei por onde vou Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí."

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"Não sei por onde vou   Não sei para onde vou - Sei que não vou por aí." Sempre gostei deste poema de José Régio e sei que já o mencionei outras vezes. Lembrei-me dele hoje porque envolvi-me num debate (que não pretendia sê-lo) no Facebook sobre a espiritualidade e a Astrologia. Eu não sigo mais esta via como já mencionei anteriormente. São pouquíssimas as pessoas com quem tenho partilhado esta minha mudança de pensamento. E não pretendia comentar nada nas redes sociais, mas o teor do post levou-me a ter de dizer o que eu penso e sinto. Todos nós temos questões e realmente ninguém gosta de ver o seu "ponto de vista" criticado mas é preciso ter maturidade para aceitar que ninguém é dona da razão. No final, senti-me ainda mais confiante da escolha que estou a fazer. Ao ler certos comentários pensava para mim mesma: "eu não sou assim; isto não faz sentido para mim." E o que não serve é para deixar para trás. Ainda assim, sei que nada sei. As minhas opiniões p...