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Mudei-me!

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Criei este blog há cinco anos. É um dos projetos pessoais do qual mais me orgulho. Falei sobre os meus sentimentos, medos, desejos e histórias. Mas como tudo na vida, chegou o momento de parar. Para avançar na minha caminhada, preciso de términos oficiais, perceber onde começou e onde acaba. Preciso de tomar decisões, vinculá-las e assumi-las. Por isso comunico a minha decisão de colocar um ponto final neste blog. Agradeço a todos os que me leram. Fizeram-me sentir especial. Grata por isso. Mudo-me agora para outras paragens. E vou recolher-me, ficar comigo, enfrentar os meus demónios, lidar com a minha tristeza e chorar se for caso disso. Acredito que posso sair uma pessoa melhor, não tão amarga, não tão rancorosa. As minhas desculpas a quem teve de lidar com o meu veneno de perto. Entendo o porquê de se afastarem. Estou a colher o que semeei e é tudo mais do que merecido. Espero que daí saia uma aprendizagem importante que minimize a atual dor da perda. Uma coisa que aprendi é ...

Sigo como me tenho sentido... só. A solidão mói mas também retira a bagagem que já estava em excesso de tão vazia que era.  Irónico como algo tão oco pode pesar tanto! É tempo de levar pouco, apenas o importante. Levo-me a mim, o meu corpo, a minha alma, a minha esperança. 

I don't care!

Deixei de me importar com o que é supostamente certo, supostamente correto, supostamente adequado. Deixei de me importar com expectativas alheias, opiniões externas e devaneios de terceiros. Deixar de me importar é uma escolha, como foi uma escolha ter-me importado durante tanto tempo. Podemos perder, e perder até é aceitável, mas não nos devemos perder. Perder a noção de quem somos, dos nossos valores e dos nossos sonhos, até nos tornarmos em estranhos para nós mesmos. Sim, deixei de me importar mesmo que as minhas perguntas sejam cruéis e as minhas respostas sejam tortas. Mesmo que não me entendam. Deixei de me importar porque já me importei demasiado.

Crescer e aprender

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Acredito que vimos a este mundo para evoluirmos. Trazemos uma mala cheia de experiências passadas e caminhamos ao encontro de experiências futuras. Ao longo do caminho iremo-nos cruzar com imensas pessoas. Algumas vão-nos fazer sorrir. Outras levar-nos-ão às lágrimas. Se tivermos sorte, todas nos ajudarão a crescer.

Peregrinação

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Ando em modo peregrinação, entre fins e recomeços, adeus e olás. Vou caminhando para libertar energia em excesso, sendo certo que liberto mais do que isso. Tenho por companhia uma sensação de estranheza.   Há um ribombar interior eletrizante. Se me disserem naquele momento que sou capaz de tudo, acredito. Não acredito antes nem depois, mas, naquele exato momento, acredito. Semana após semana lá vou eu de mala às costas. Faço sempre o mesmo caminho. Passo sempre pelos mesmos sítios. Termino sempre no mesmo local. Talvez seja a única rotina que nunca me parece rotina.

Folhas ao vento

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Foram-se. 1, 2, 3, 4, 5 e tantas outras folhas desprenderam-se dos ramos e rodopiam agora ao sabor do vento. Olhos indiscretos observam-nas naquela dança sincronizada. Nada as agarra! Nada a impede! Nada as detém! Voam certeiras para o seu destino deixando para trás quem as olha. O observador permanece imóvel mesmo depois de as perder de vista. Regista na sua memória o momento da ausência. Apercebe-se então daquela velha árvore enraizada na terra com 1, 2, 3, 4, 5 e outras tantas folhas a menos. Tão descomposta, mas tão majestosa! Mesmo despida a árvore nunca duvida, nem por um segundo, de que continua a ser árvore.

Deixar ir

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Há posts que são mais fáceis de escrever do que outros. Este é difícil. Ainda bem. É difícil porque dói mas talvez só a dor possa libertar. Há dois anos cruzei-me com um senhor, um indivíduo com uma intuição fantástica, que me deu um conselho. Aconselhou-me a abdicar de algo que, naquela altura, era muito importante para mim. Agradeci e segui caminho convencida de que não o iria fazer. Não conseguia, não podia e sobretudo não queria. Não me apercebi naquele momento de que, por vezes, só abdicando do que não serve podemos arranjar espaço para o que serve. Dois anos passaram e, ao longo deste tempo, tenho repetido padrões e obtido, naturalmente, o mesmo resultado. E hoje lembrei-me desse conselho. Não me arrependo de não o ter seguido mas acho que chegou a altura certa de o fazer. E não sei o que ficará depois. Não sei o que restará. Não sei o que sobrevive ou o que desmorona. Mas não me interessa. Rendo-me. Rendo-me à ideia de que quis e não tive. Rendo-me à ideia d...

Quero

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Quero! Quero! Quero não querer. Já não é o desejo imerso nas lembranças do passado mas um ato de renúncia. Quero aquele nada que nada pede. O abandono que liberta, as amarras que não prendem, as lágrimas que não caem. Quero as palavras que restam depois das palavras que não foram ditas. Quero o monólogo naquele palco vazio. E o que ficou, o resto, a sobra, a sombra são como grãos de areia numa praia deserta esvoaçando ao sabor do vento.

Meu velho eu

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Já não há espaço para mim aqui. Já não há tempo para mim aqui. Neste aqui onde quis estar, neste tempo que achava ser o meu. Tenho uma existência feita de equívocos mas acabam por ser os equívocos que me reconduzem ao caminho. Adeus àquele pedaço de mim que começa a ficar para trás…