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Talvez

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Domingo de Novembro com algum sol! Os últimos tempos não me têm levado a grandes percursos sozinha. Gosto da solidão, mas às vezes pesa. Gosto do silêncio, mas às vezes pesa. Desejo, porém, que haja nessa solidão e silêncio uma aceitação sem que porém seja forçada. Faz parte de quem sou, da minha vida, da minha essência. Estacionei em Belém. Vim acompanhada por "Deus não precisa de ti", um livro de Esther Magnis. Apetece-me ler sobre Deus, experiências de outros com Deus, leituras que vou intercalando com a Bíblia Sagrada. Quero saber mais sobre Ele. Quero ouvir falar Dele. Estou curiosa. Estou sedenta. Tenho fome de respostas. Tenho fome de Verdade. Haverá maior Verdade do que Ele? Talvez a minha solidão tenha sido a forma que Deus encontrou de me levar a procurá-lo. Talvez o silêncio tenha sido a forma que Deus encontrou de me levar a ouvi-lo.

Momentum

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Tenho-me sentido ansiosa. Não me posso desculpar com a TPM e vou esperando que a valeriana faça efeito. Alia-se  a ansiedade a uma dor de cabeça que, imagino eu, esteja associada, por sua vez, a uma dor de um dente qualquer do lado esquerdo. Os dentes têm este problema: dói tudo e nem se percebe bem onde é o epicentro.  Sou imensamente grata pelo que tenho, pelo que a vida me tem dado. Sou imensamente grata por saber que as pessoas de quem gosto estão bem. Não ponho isso em causa. Mas sinto-me sem objetivos. Parece-me, por vezes, que não estou a fazer nada de verdadeiramente útil, que não acrescento nada a ninguém, que não sou valor de soma na vida das pessoas. Vou passando sorrateiramente pela vida de forma quase invisível.  Sei que não é o meu ego a falar. Não é o meu ego a querer mais, mas sim o meu "eu" mais profundo a consciencializar-se de que pode fazer mais. Não é o ter, é o ser.  Ser mais cheia de algo que nem sei eu bem do quê. Este meu estado de espírito ...

Caminhantes da vida [Excertos]

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Para aqueles que, como eu, gostam de caminhar... "O que será que às vezes tanto nos dificulta determinar o destino a dar aos nossos passos? Creio na existência de um magnetismo subtil na natureza o qual, se cedermos inconscientemente, nos levará no caminho certo. (...) Muito gostaríamos de dar aquele passeio que ainda não encetamos neste mundo real e que simboliza perfeitamente o atalho que adoraríamos percorrer no mundo interior e ideal; e às vezes, não há dúvida, temos dificuldade em escolher a nossa direção por não a termos discernido bem no nosso pensamento." Henry David Thoreau, "Walking" (obra de 1862)

"A Pianista" de Elfriede Jelinek - Reflexões

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Terminei hoje a leitura do livro "A Pianista" de  Elfriede Jelinek. Não sei muito bem o que pensar do livro e se recomendaria a sua leitura a alguém. Foi-mo oferecido há alguns anos, andava eu ainda na Faculdade. Pelos sublinhados e vaga lembrança, quando peguei nele novamente percebi que o tinha deixado a meio. Entendo o porquê. A linguagem é difícil. Os diálogos são sempre em discurso indireto, estranhos e confundem-se com a narrativa. Os cenários mudam bruscamente e muitas vezes é difícil perceber onde as personagens se encontram e o que estão a fazer.  A par disto tudo, o tema é polémico.  Uma pianista de 36 anos mantem uma relação de co-dependência com a mãe, partilhando ambas inclusivamente a mesma cama. Caso para dizer, que o cordão umbilical nunca foi cortado. Há um controlo exacerbado sobre esta mulher e uma negação total do prazer, influência da educação e controlo maternos. Usa roupas sem graça, pesadas para a idade que tem. Secretamente ela automutila-se,...

Não vou fugir hoje. Irei para a casa.

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Tenho-me sentido ansiosa nos últimos dias. Habitualmente, a caminhada é o meu maior e melhor remédio. Mas, de alguma forma, também é uma fuga. O tardar a chegar a casa, o evitar os momentos noturnos em que, frente à TV, penso na minha vida. Não vou fugir hoje. Irei para a casa. Desmontar, finalmente, a árvore de natal que ainda se encontra no escritório quando estamos quase em final de fevereiro. Aspirar a carpete da minha sala. Escovar os panos que protegem o meu sofá. Fazer a cama. Acender um incenso. E depois sentar-me a ler. Tenho medo de sentir mas não posso fugir mais. Por outro lado, o medo faz-me regressar a algo. Que será? Próxima proposta de leitura:

Passado

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As pazes com o meu passado estão a vir da forma mais inesperada. Cansada das leituras habituais e inspirada por uma amiga minha, peguei nos meus velhos livros de "Uma Aventura". Era fã desta coleção quando era jovem. Ao longo do folhear das páginas, vêm-me imagens do meu passado, vislumbres de momentos idos. Vejo-a a ela, essa menina que me habita e tenho uma sensação bastante forte de que ela já não carrega aquela dor que lhe foi, em tempos, tão penosa. Nunca antes a encontrei e a senti tão em paz como hoje.  (Foto wikipedia)

Estou e não estou

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Estou e não estou. Estou em mim e fora de mim. Vejo-me perto e distancio-me da matéria. Sou corpo e alma em manifestação mais ou menos consciente. Vejo-me de fora e olho para dentro. Não há nada de sobrenatural. São estados de espírito. Subidas ao topo de montanhas, aos cumes do entendimento. Ir além do que se vê, do que se toca, do que parece ser. E o longe faz-se tão perto porque aquele que procura encontra, mais cedo ou mais tarde.

O Caibalion

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