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Nem por medo, nem por desejo - #Oração Sufi

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“Senhor Deus, se eu te busco por medo do Inferno, queima-me no Inferno. Se eu te busco por desejo do teu Céu, expulsa-me do teu Céu. Mas, se eu te busco pelo que Tu és, mostra-me a tua face e recebe-me no seio da tua glória." Rabia al Adawiya al Qadsiyya (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

A viver a água

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A viver a água, a emoção, o burburinho mental, o ciclo, a mulher, a criação, a dúvida, a busca, as partes mais escondidas,  o outro lado da moeda, o outro lado do palco, as travessas, as ruas desertas. Este meu EU que pretende conhecer-se na sua plenitude mergulha tanto nas águas calmas como no lodo. Este EU ri e chora. Este EU sente e sente-se na sua feminilidade às vezes sem jeito. Este Eu fragmenta-se e remenda-se. É Um que vira o Reverso e do Reverso regressa ao Um sem ser o Um que era. Tão real é um como outro. Ambos necessários.  É o retorno constante e mensal ao pântano dos despojos, dos restos, das sobras e das sombras, dos abandonos e recomeços.  Hoje é uma Noite, mas amanhã será um Dia. Hoje é Lua, mas amanhã será um Sol.

Atualidades

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 Ao abrigo da Resolução do Conselho de Ministros n.º 157/2021 , e por não cumprir os requisitos, estou impossibilitada de frequentar restaurantes ou de consumir no espaço de refeições das superfícies comerciais. Tudo isto me tem passado muito ao lado e pouco ou nada pesa em mim. No entanto, ontem, na hora de almoço, enquanto me dirigia para uma loja para comprar material de escritório, passei por um corredor onde ficam alguns dos restaurantes das Amoreiras. Acho que pela primeira vez tive a consciência/choque do que se está realmente a passar. Estavam pessoas sentadas às mesas, sem máscara, a comer, a falar animadamente uns com os outros. Se eu quisesse fazer o mesmo, não o poderia fazer. Esta limitação não se deve ao facto de eu estar ou não doente. Esta limitação deve-se ao facto de eu ter feito uma escolha, escolha essa que, segundo os nossos governantes, e com o apoio de uma franja (grande? pequena?) da população, não me deve permitir o acesso a alguns dos serviços. Não me sint...

Dia 4

Ando em conflito comigo mesma, é um facto, sobretudo na forma como me apresento. Não vejo este conflito necessariamente como algo mau. Reconheço-o como um vislumbre das várias máscaras que vão oscilando e eu, de certo modo, busco por uma definição de qual delas estará mais próxima da essência. A questão é: qual é a minha verdadeira essência? Imaginem que há um momento na vossa vida em que decidem que, de agora em diante, querem ser o mais fiel possível a vós mesmos, mas como ainda não sabem bem quem são, não conseguem perceber onde reside essa autenticidade. Pois bem, assim sou eu neste momento da minha vida! E se bem que queira andar invisível durante o processo, também começo a perceber que ainda procuro o reconhecimento exterior mesmo que seja dessa minha invisibilidade. Ou seja, parece que muda muita coisa mas no fundo não muda nada!

Noite

A noite passada foi de chuva, relâmpagos e trovões. Clarões irromperam pelo meu quarto.  Tal como uma criança fui a correr para a janela da cozinha a tempo de ver o espetáculo natural que registei através do telemóvel. Não sei se é a lua cheia de há dois dias, e que ainda se vê nos céus, que me está a tirar o sono. Adormeço mais tarde do que era habitual e acordo com muito mais sono. Ou talvez seja apenas a energia do Outono que chegou ontem. O contraste que se vê nos céus é a imagem da dicotomia/dualidade que acompanha o ser humano, e sobre a qual me tenho debruçado nos últimos meses. Sei que volto sempre ao mesmo assunto, mas neste momento é quase inevitável considerando a fase da vida na qual me encontro. E penso nisto... muito! Ontem falava sobre a inspiração que tem sido para mim assistir àquelas palestras de Filosofia. Contudo, ao regressar a casa senti-me muito cansada e até enjoada. O mesmo aconteceu hoje de manhã e acabei por não voltar ainda a pegar nos papéis nem nos áud...

Ouvir a alma [Sonho]

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Há algo que se apaga em mim, uma parte de ego inflamado. Considero isso bom. Vou-me retirando das esferas visuais. O meu leão desce do palco. Mas fá-lo em consciência. Dá as mãos ao crustáceo que tantas vezes rejeitei. O sol alia-se à lua, ou a lua alia-se ao sol. Partes do inconsciente tornam-se conscientes. A tocha é passada das mãos daquele que quis brilhar para aquele que agora se quer curar. Há algo de profundamente belo neste processo. Digo-o com uma espécie de emoção na voz. Tive hoje um sonho revelador a propósito de tudo isto. Um homem do meu passado e uma mulher do meu presente representavam os meus dois lados: racional e intuitivo. A mulher decidira cozinhar uma refeição para homens encarcerados numa prisão porque considerava que qualquer alma podia ser salva e redimida quando se fazia algo de bom por ela através da bondade e do amor. O homem acusou a mulher. Adotando uma postura que, no sonho, me pareceu tão sofista, ele pretendia mostrar que há destinos marcados e almas qu...

Quem és tu?

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Recebeu novamente a visita dele, dessa força destrutiva e redentora. Sentia tudo como uma dose de adrenalina misturada com veneno injetada nas veias. Não havia cancelas para impedir, nem limites que o fizessem fraquejar. Avançou como um furacão que leva tudo à frente sem medir as consequências. Não pensava. Não cessava. Tudo fluía de forma violenta e agressiva. Ela sentou-se a assistir de camarote, sem nada dizer, sem sequer pestanejar. Ele suscitava-lhe curiosidade, mais do que medo. Viu-o irromper por debaixo da pele rasgando pedaços de sonhos. Viu-o dilacerar lembranças e recordações. Viu-o a abrir e a fechar as mãos como se estimulasse articulações que nunca antes foram usadas. Ouviu-o vomitar palavras sem nexo em catapulta como se, na rapidez com o que o fazia, fosse impossível ordená-las corretamente. Oscilava entre momentos de loucura e lucidez, ria desenfreadamente até lhe virem aos olhos lágrimas de dor. Quando por fim ela se levantou olhou-o nos olhos: o castanho dos olho...

Sou assim

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Insisto e desisto. E desisto mas volto a insistir. Sou assim. Uma crente com certa dose de descrente e que na descrença volta a acreditar. E acredita só para voltar a duvidar. Mas sou assim. Não conseguiria ser de outra forma.

Extremos

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Procuro o extremo, o ponto mais longínquo, o que me afasta mais do que conhecia e que hoje me esforço por deixar para trás. Negar o que fui pode não ser a solução, mas continuar a ser o que fui também não é. Chegará o momento em que serei chamada a equilibrar de novo a minha balança, a encontrar um consenso interior. Mas esse momento não é agora. E tudo o que hoje é como é me faz sentido mesmo que não haja sentido algum.

Coração e Mente

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O coração carrega o peso e ainda que pesado o coração tem dificuldade em deixar ir. A mente e o coração têm ritmos diferentes. Nunca se percebe bem qual dos dois cede primeiro. Mais difícil ainda é perceber qual dos dois desiste primeiro.