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Por mais momentos destes...

E sobe-se...

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E sobe-se.. passo a passo… Não se ouve vivalma na encosta e por momentos todos os intervenientes caminham em silêncio. Sob a luz do sol são iguais. Sob a luz do sol somos iguais. Destroem-se fantasias para extrair realidades, tocam-se em feridas para encontrar curativos. A caminhada é o purgativo da dor que une quem foi a quem é, passado e presente, a menina à mulher. - "Gostas de mim?" - pergunta-me a criança de cabelos encaracolados. - "Sim, gosto. Lamento ter-te feito acreditar que não gostava. Durante muito tempo foi mais fácil culpar-te a ti. Pensava que responsabilizando o passado, aliviava o meu presente, mas não se cura um presente sem se curar o passado." Olho-a nos olhos e agarro as suas mãos pequeninas: -"Fizeste o melhor que sabias!" Ela devolve-me o sorriso: - "E tu fazes o melhor que sabes! Perdoa-te para que eu me perdoe."

Monstro

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O monstro tem cerca de um metro e meio de altura. Se ele mostrasse os dentes, veriam como estão tortos como pilhas de madeira mal equilibradas. Ser um monstro é uma m$%&$# porque uma panóplia de características lhe são atribuídas pelo simples facto de ter o nome que tem. É verdade que ruge como um animal ferido e enxota as criancinhas como se fossem moscas. Não é propriamente bonito e todo o seu comportamento e forma de falar afasta mais do que aproxima. Comportamentos habituais geram consequências habituais! Mas se a dor toca a todos, por que não entender que também o monstro tem a sua quota parte? E talvez só o amor de uma criança possa curar o coração partido de um monstro que teve de crescer rápido demais. Umm… acho que quero abraçar o meu monstro <3

Caminhada a três

Para entender o momento presente é preciso entender a origem, e para entender a origem é preciso recorrer à memória. Quando penso no que passou, quando as lembranças começam a vir à tona, abano a cabeça para as afastar. É intuitivo. É a primeira reação. Como uma criança que se esconde debaixo dos lençóis para não dar de caras com o monstro papão que habita no seu imaginário. Percebem a contradição? Se é imaginário, está dentro dela, não fora dela. Estando dentro dela, mesmo que ela se esconda, ele continua lá. Chamo então essa criança, essa menina, a minha menina interior. E chamo o monstro papão, que habita nela. Sendo ela eu, ele também habita em mim. Vamos caminhar os três, com uma distância considerável, servindo eu de mediadora. A caminhada não é por isso solitária. Há um acompanhamento interior. O mundo fica para trás, o caos e o medo.  Ela diz então, timidamente: - "Não gostam de mim. Não sirvo. Não sou suficiente. Não mereço o amor. Não mereço ser amada. Eu sou a menin...