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Caminhada

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Apanhei o 783. Saí na Avenida do Brasil e caminhei até à estação de metro da Encarnação. Já há algum tempo que não fazia estas caminhadas por Lisboa e pela escuridão da noite quando os dias de sol começam a ser menores com a aproximação do Inverno. Tive a mesma sensação de conexão profunda. Apercebi-me de que a noite traz-nos outra perspectiva das coisas. Caminhar de dia não é o mesmo que caminhar de noite. O nosso campo de visão diminui mas, por sermos menos estimulados pelo que vemos, acabamos por estar mais atentos aos sons e cheiros. Senti uma enorme tranquilidade e gratidão. Cada vez vou entendendo melhor de que não devemos cobiçar o lugar dos outros. Temos o nosso próprio espaço e tempo. Aceitar isso é abandonar pesos desnecessários. Deixo o registo fotográfico de Segunda-Feira.

Caminhantes da vida [Excertos]

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Para aqueles que, como eu, gostam de caminhar... "O que será que às vezes tanto nos dificulta determinar o destino a dar aos nossos passos? Creio na existência de um magnetismo subtil na natureza o qual, se cedermos inconscientemente, nos levará no caminho certo. (...) Muito gostaríamos de dar aquele passeio que ainda não encetamos neste mundo real e que simboliza perfeitamente o atalho que adoraríamos percorrer no mundo interior e ideal; e às vezes, não há dúvida, temos dificuldade em escolher a nossa direção por não a termos discernido bem no nosso pensamento." Henry David Thoreau, "Walking" (obra de 1862)

Final de dia

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Se um dia me lerem talvez percebam que as minhas fotos falam tanto ou mais do que as minhas palavras. Não são ruas desertas, nem iluminações de candeeiro no final de dia. Não são pedaços de chão sem história. Não são ninharias. São sim os meus mergulhos de alma feitos em calçadas de pedra. São as minhas deambulações pelos vários passados em que Lídias mais jovens me encontram e me relembram a minha própria história. São as minhas caminhadas férteis em que sou guiada pela e para a minha própria descoberta. Falar sobre o que sinto não é possível. As palavras são insuficientes. Apenas sei que vou tomando consciência de vários algos, alguns dos quais não sei bem que nome lhes dar.

Simples

Não é esoterismo. Não é espiritualidade avulso. Não são pozinhos de perlimpimpim. É o que é. Sobre o que sinto. Sobre o que penso. Sobre o que sou. Tão simples como olhar PARA  a natureza e tão complexo como olha A natureza.

Dia 19

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Quem és tu? Quem és tu que vens no frio da madrugada? Quem és tu que te lembras de estradas de terra batida e de um tempo noturno em que olhavas para o céu? Quem és tu que te despes, te desmaquilhas e te despojas do que sabes não ser teu? Quem és tu que abandonas a máscara?  Quem és tu que vives, morres e voltas a viver? Quem és tu que pedes tréguas à mente e dedilhas com os dedos as palavras que vertem do coração? Quem és tu que te curvas e reverencias a terra de onde foste soprada? Quem és tu que sobe aos cumes da árvore sagrada e estica os dedos em busca da mão de Deus? Quem és tu que quando não sabe sente? Quem és tu que quando não sente intui? Quem és tu que quando não intui é? Quem és tu? 

Em modo de recolhimento

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Regresso ao meu cantinho na blogosfera, o único local no mundo da web onde me sinto bem. Estou novamente em recolhimento, tal como a lua que mingua nos céus. Ontem, enquanto sentia a vibração do meu tambor nas mãos, um som paralelo tornou-se timidamente audível. Ainda que fossem os meus ouvidos a captá-lo, a minha mente imaginou-o com o formato de linhas de luz a estenderem-se e a contraírem-se no ar. Por instantes, o meu radar interno capturou outras frequências. E foi assim, ainda sob a influência desse estado vibratório, que adormeci no quentinho da minha cama. Às vezes imagino que esse recolhimento me retira do mundo físico e me leva para templos sagrados de conexão à verdade e à vontade. Não me causa desgosto estar encarnada. Muito pelo contrário. Gosto dos pequenos prazeres naturais, como cheirar as flores de outono, ou mergulhar nas águas salgadas do mar da Costa da Caparica. Gosto de uma imperial fresquinha em dias quentes e do sabor das castanhas assadas no Inverno gelado. Ou ...

Tambor

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Contrariamente à semana passada, domingo começou nebuloso e tem-se prolongado pela 2ª feira adentro. É o tempo dos mistérios, da natureza em suspiro. Ontem passei perto de Pedrógão para levantar uma encomenda muito especial, o meu tambor. O processo em si não foi assim tão especial ou pelo menos não correspondeu ao que tinha imaginado. Como tudo na vida, as coisas vêm na altura e moldes certos, apesar de todas as ilusões que possamos criar. Gostei de conhecer pessoalmente o João, o artesão que lhe deu vida. Quando falei com ele percebi que a sua energia era muito diferente do comum. É uma alma que vive em comunhão com a natureza, o que contrasta imenso com a confusão caótica da capital. Perguntou-me que fazia eu da vida. Falei-lhe da minha profissão salientado firmemente que sei que a minha alma deseja algo bem diferente. Sorriu então e enquanto apertava as cordas para puxar a pele do tambor disse-me: "sabes, é uma escolha tua!" Respondi afirmativamente como quem sabe bem que...

Estar no presente

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Estar no presente... no momento no silêncio na conexão na observação na consciência no vento na terra Estar de braços abertos, coração aberto, olhar atento para cima. § Retira a expectativa de tudo. Até das palavras. Apenas está e deixa fluir. § Foto: A tentar captar os tons outonais

Come come little witch [Poem]

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Come come little witch, sit by the tree! You are part of all the nature that your soul can see! Above father sky, below mother earth, They both enlighten your heart and make you tough. Ask sister moon for guidance when you feel uneasy The truth will speak from her core into every fibre of your being Do not fear little witch, you are never alone And never alone will you be! 💓 Lydia Alaya

Comunhão

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Porque neste momento não me é possível, imagino-me deitada na relva fofa, com um sol moderado a aquecer suavemente o meu corpo. Perto, oiço o barulho dos rouxinóis.  Uma cascata verte a sua água sagrada, na qual purifiquei os meus pés antes de me acomodar na terra. Estou em repouso, em imersão, em contemplação. Estou em estado de liberdade e de consciência. Estou e sou. Vibro em amor. Vibro em respeito. Vibro em compaixão. Vibro em verdade. Os animais da floresta vêm-se juntando a mim. Aninham-se nas curvas das minhas pernas e junto ao meu peito. Brincam com as pontas do meu cabelo. Dá-se a comunhão perfeita, dos seres com os seres. Não há separação, nem barreiras. Somos todos filhos da Mãe Terra e do Pai Céu. Foto de arquivo, tirada a 05/10/2017 no Parque Eduardo VII