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O 712 [outra vez]

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Apanhei o 712. Há algum movimento nas ruas mas que não impede a fluidez do percurso. Passei por locais familiares: onde gostava e ainda gosto de passear, onde morei há uns anos, onde tomava o pequeno almoço e outras coisas que tenho pouca vontade em recordar. Uma voz dentro de mim dizia-me que, se eu quero ver a verdade, tenho de me desapegar de tudo o que eu acho ser real. Ver os outros não pelo que aparentam. Ver estas ruas não pelo que parecem. Ver-me a mim mesma não pelo que imagino.  Tudo me parece ilusório, até mesmo aquele momento em que estou sentada e observo o mundo pela janela do autocarro. É uma sensação estranha. Quiçá um sinal de loucura. Lembrei-me da Verónica, que já partiu. Ela disse-me, uma vez, que costumava almoçar naquele mesmo café onde eu gostava de tomar o pequeno almoço. O tempo passa. A vida é fugaz e deixa tantas vezes um sabor amargo. É estranho não é, pensar que o que é deixa um dia de ser mas se há algo que nunca deixa de ser é porque aquilo que somos ...

Rendição

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Certas rendições tornam-nos humildes, trazem-nos de volta à terra e colocam-nos de joelhos. Abandonamos certezas e convicções. Deixamos o nosso ego em parte incerta e olhamos para o céu. Ao contemplarmos a imensidão que é um céu estrelado, percebemos o quão pequeninos somos. Essa “pequenez” não visa diminuir a nossa alma, mas sim fazer-nos entender que não estamos sós, não somos mais nem menos do que ninguém, as nossas dores não são necessariamente mais dolorosas do que as dores dos outros, nem a nossa felicidade é mais ou menos importante do que a do outro. Nestas horas, às vezes apenas minutos, às vezes apenas segundos, rendemo-nos. Ou porque o cansaço é demasiado, ou porque as dúvidas são muitas ou porque há muito que a nossa alma nos tenta levar por outro caminho - aquele a que ainda resistimos -, e percebemos que está mais do que na altura de a escutar. Apesar do enorme esforço físico, mental e emocional que nos é exigido para uma rendição de tal envergadura, para mim há uma...

Ainda não

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Repito e repito-me! Padrões, padrões, formas de pensar, de sentir, de agir. Às vezes critico-me e grito um “Outra vez?”, mas com o tempo tenho aprendido a aceitar, com relativa compaixão, a minha fraqueza e a incapacidade que tenho em fazer cessar tanta repetição. “Ainda não consigo!”, penso. “Ainda não sou capaz!” A minha professora de ashtanga costumava dizer-me isto quando eu reagia mal às minhas limitações. “Ainda, ainda…” O AINDA abre portas, janelas e possibilidades de um dia o que hoje me impede seja o que amanhã me fará crescer.

Ilusão

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Os grandes filósofos e místicos da história sempre nos alertaram que o que julgamos ser verdade é uma mera ilusão.   Nascemos, crescemos e são-nos dadas fórmulas que, muitas das vezes, já nem funcionam, ou incutidas normas, regras e, sobretudo, formas que nos conectam muito à terra e desconectam-nos do nosso lado mais divino. Quando falo do nosso lado mais divino, não pretendo afirmar que somos deuses, mas há algo em nós que não é deste mundo e é nesse algo que reside a lembrança do que é belo, do que é justo, do que é bom. Osho, no livro que dedicou à temática da liberdade, afirma que a primeira fonte de aprisionamento é a família. São aqueles que nos são mais próximos que nos dizem: “és isto”, “tens de ser isto”, “tens de ser desta religião”, “tens de acreditar nisto”…. E por essas crenças lutamos, defendemos e criticamos os que não pensam como nós. Esquecemo-nos   de que, se houvesse uma reflexão profunda e virada para o interior, se calhar nem nós mesmos acredit...