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será?

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Já comecei e apaguei este texto imensas vezes. Quero escrevê-lo porque preciso de o fazer, de verbalizar o que me vai na alma. Mas não é fácil fazê-lo. Hoje, enquanto me encostava ao vidro do comboio e fechava os olhos, admitia para mim mesma o quanto preciso de colo. Há pouco, enquanto me stressava com uma situação no trabalho, desabafava comigo mesma o quanto preciso de colo. Um dia destes pensei que estaria disposta a desabar, se alguém me amparasse. Queria chorar tudo, ralhar tudo, libertar tudo e, depois, adormecer aconchegada nuns braços feitos de amor. Já fui uma menina sonhadora, como aquela versão de dois anos que está retratada no fundo do telemóvel ou a versão adolescente exposta no screensaver. Já fui a menina desejosa de construir uma família e ter sete filhos. (Influência da família Von Trapp.) Não digo que a minha versão adolescente tivesse vergonha da mulher em que me tornei. Mas creio que ela não entenderia. Nem eu entendo. Não entendo como o meu caminho me levou para ...

Destralhar

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Tenho feito uma limpeza generalizada à minha casa. Mas mais importante do que tirar o pó acumulado, têm sido os imensos sacos repletos de coisas desnecessárias a irem para o lixo. Tenho muita dificuldade em entender por que não o fiz mais cedo. Como poderei eu ter achado que precisava daquelas coisas? Estragadas, ou velhas, ou pouco usadas, ou sujas, ou sem nenhuma utilidade.  Sempre que limpo alguma divisão da minha casa, sinto uma leveza dentro de mim. É como se estivesse a retirar algum do meu lixo interno: necessidades, carências, medos e apegos. (Imagem retirada da net, pode ter direitos de autor)

Reflexões em dia de greve

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Esta quarta-feira começou com greve da CP. Vim de carro, para Lisboa, ainda antes do sol nascer. Vim na companhia dos meus pensamentos. Analisei a minha vida que me parece tão plena de algumas coisas e tão desprovida de outras. Tenho-me apercebido de que as minhas compulsões estão a agravar-se uma vez mais. Conheço-me o suficiente para reconhecer os sinais ainda que nem sempre saiba o que despoleta as minhas crises. Já em Lisboa, ao passar a ponte que atravessa o Parque Urbano do Vale Marvila, fitei por uns instantes a lua lá no alto, ainda plena, ainda luminosa, ainda bonita. Digo para mim mesma que tenho a vida que preciso de ter mas parece-me que, de todos os primos Mal***q*e e de todos os primos P***s , eu sou a que destoa mais. Nem sempre estou bem com isso. Nem sempre aceito o caminho que me está reservado. Já me retirei de um qualquer papel de pedestal em que me coloquei e que me fazia crer que eu vinha para curar a linhagem familiar. Tretas! Não venho curar ninguém a não ser e...

26 de Dezembro de 2022

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26 de dezembro de 2022 Estou em casa, a gozar o meu último dia de férias do ano. Chove imenso pelo que, e apesar de todos os planos que tinha feito, não me apetece sair. Estes dias que antecipam o final de 2022 têm sido de reflexão sobre o que foi, sobre o que é, existindo pouca vontade em pensar sobre o que virá. Desde há uns anos que deixei de fazer lista de desejos e, desde a mesma altura, parei de me lamentar quando chegando ao final do ano me dava conta de que continuava a não ter superado os meus grandes desafios. Pouco ou nada distingue o final e o início do ano. As linhas, os marcos invisíveis que separam o tempo na verdade não existem. Mas sei que algo vai mudando, de forma gradual. Tomei a decisão de assumir os meus cabelos brancos pelo que imagino que, se ainda cá estiver daqui a um ano, tenho uma cabeça bem grisalha nessa altura. À minha mãe não lhe agrada propriamente que a filha esteja a antecipar a velhice mas para mim pouco me importa. O meu valor não reside na cor do m...

Nunca deixes de te maravilhar!

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Natal

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O Natal chegou em família, como deve de ser. Doces sem restrições ou peso na consciência e copos bem cheios de tinto.  Sou grata por ainda poder festejar com os meus. Este é o lado luz. Na sombra mantenho laços que não quero manter, palavras que não quero proferir, situações das quais desejo, do fundo da minha alma, sair. Talvez seja este o pedido mais verdadeiro que sai de mim em direção ao divino. O desapego, o deixar ir. Que 2022 me solte, me faça mais leve, despreendida.  A par disto lembrei-me ontem, a caminho da terra natal, de como sentia pena das vidas que eu não entendia. Hoje a minha vida é semelhante a essas e percebo as falácias do meu pensamento antigo. Não há pena. O ser humano adapta-se às circunstâncias da sua vida mesmo que para os outros, e para si inclusive, possa ser estranho como poderá haver felicidade em certos destinos.  A verdade é que há felicidade quando vemos a vida pelo que ela é e não pelo que achamos que deveria de ser. A felicidade é o momento não o prog...

Retorno

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Vim passar uns dias de férias. O voltar à família faz-me crer que há coisas que não mudam. Por um lado, agradeço pelo que tenho. Por outro, acabo por encontrar sempre a minha menina interior, e isso não é fácil. Está nela o meu passado, o meu Eu que queria crescer rápido de mais, mas que encontrou um processo moroso. Cronos é implacável. Há que aceitar com a mesma maturidade que ele próprio exige. O seu frio estrutura o meu ser interior e, se bem que o calor da estação em que a minha alma escolheu nascer tente entrar, encontra frequentemente barrada o seu trajecto. A vida puxa-me de sul para norte e eu bem tento ir, mas quase sempre com pouca vontade. Nos últimos meses, e em diversas circunstâncias, vi espelhadas partes de mim que tive dificuldade em reconhecer. Sou isto mas quiçá preferisse ser aquilo, não sendo propriamente claro o que é "isto" e o que é "aquilo" e qual a diferença entre ambos. É o meu eterno retorno a uma velha questão de querer definir e assumir...

Roma Areeiro

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Não está um Outubro de chuva nem descida de temperatura. Já me chegou o cheiro das castanhas, um cheiro apetecível mas estranho uma vez que ainda está tempo quente. Esta semana foi desafiante. Tenho-me sentido fisicamente cansada. Não consegui ir ao ginásio pelo que fiz algumas caminhadas em substituição: desde a Alameda passando pela Av. de Roma, que me trouxe recordações de quando lá morei há mais de 20 anos. É interessante passar pelos mesmos locais com um intervalo significado de tempo para perceber não só o que mudou naquelas ruas, mas também o que mudou dentro de mim. 20 anos não assim tantos anos, mas a diferença é abismal. Se não fosse por ter algumas daquelas lembranças bem presentes, ainda acharia que estava a falar da história de outra pessoa. O tempo leva-nos mesmo tudo, incluindo a forma física. Mas não leva os momentos marcantes, sejam bons ou maus. É curioso como me lembro de situações aparentemente tão insignificantes mas que, por algum motivo, nunca as esqueci. - O pão...

Por mais momentos destes...

A Lua

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Na astrologia, este luminar representa as nossas emoções e a nossa forma de sentir. A lua sente-se em casa quando está em caranguejo - não fosse caranguejo o regente da casa 4, espaço da família, do passado e das nossas raízes - e está em exílio quando se encontra em capricórnio. Esta foi uma das primeiras abordagens que aprendi, antes de descobrir o Tarot. Não sendo esta lâmina XVIII uma das mais felizes, também não tem de ser interpretada como necessariamente má. Didier Derlich refere no seu livro sobre Tarot que há um certo preconceito – injusto! – relativamente a esta carta, como se o aspeto masculino – yang e sol – fosse sobrevalorizado em detrimento do aspeto feminino – yin e lua. Na verdade, diz ele, sol e lua são necessários. O sol precisa tanto da lua como a lua precisa do sol. Que é então esta lua e porque trago hoje uma reflexão sobre a mesma? Bem, devo dizer que sou parte interessada nesta análise porque astrologicamente tenho uma presença forte de caranguejo e du...

A seu tempo

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Baba Yaga a relembrar-me que tudo vem no seu tempo, tanto as conquistas exteriores como a serenidade no coração.

Férias Grandes

Uma das melhores lembranças que tenho de infância é das viagens de carro pela Europa que fazia com os meus pais e irmã nas férias grandes. Sei que na altura não valorizei. Eram viagens cansativas. Dormíamos no carro na ida e volta e acordávamos completamente partidos. Às vezes perguntava-me porque não eramos uma família normal, daquelas que abanca na praia a estorricar ao sol o dia todo. Os meus pais têm, claramente, bicho carpinteiro e eu, para o bem ou para o mal, recebi também essa herança. Lembro-me da primeira viagem grande a Paris, em 1996. Lembro-me de estarmos sentados frente ao hotel à espera que ele abrisse, completamente exaustos. Lembro-me de estar no banco de trás a olhar para o rosto do meu pai que intimamente esperava que tudo corresse bem. Lembro-me de a minha mãe olhar para ele com a mesma expectativa. Em 1996 os meus pais tinham praticamente a idade que eu tenho hoje. Ao recordar-me disto sinto por eles a maior gratidão do mundo. E talvez pareça estranho t...