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Terapia

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Em consulta com a minha psicóloga, esta semana, falei na minha paixão pela caminhada. Ela ajudou-me a perceber algo de que eu ainda não me tinha dado conta. As minhas caminhadas fazem-me estar no presente. A minha atenção é fixada nos pormenores do que vejo, dos cheiros que me chegam, dos barulhos que oiço, das sensações ao tocar paredes ou sentir os meus passos sobre a terra. Mas percebi também que as minhas caminhadas me fazem ir ao passado. Não passo por onde já passei mas revejo emoções, sentimentos. Permito-me voltar ao passado e, não podendo alterar o que ele foi, altero a minha opinião e perspectiva relativamente a ele. Eu sei que estou em paz com a Lídia pequenina. Digo isto com convicção. Não lhe exijo nada. Não a critico, nem acho que ela devesse ter agido de outra forma. Pouco poderia eu exigir a qualquer criança, incluindo a criança que eu fui. Por isso, o meu regresso ao passado já não é à infância, mas sim (creio eu!) aos meus vintes . Lembro-me de escolhas que fiz mas qu...

Sugestão de Caminhada por Lisboa - Caminho circular [Para prestar atenção aos detalhes]

 

O "Conhece-te a ti mesmo" no dia de S. Valentim

"Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses." Citei esta frase num dos primeiros posts que escrevi neste blog. Na altura, frequentava a NA e recordava a minha incursão naquela escola. Veio-me hoje à lembrança, novamente, em pleno dia de S. Valentim. Cada vez mais acredito que a melhor forma de estarmos em paz connosco mesmos é a de nos conhecermos, de percebermos quem somos.Volto um pouco atrás na minha reflexão. Ontem vim de carro para Lisboa. Tinha aula ao final do dia e receava que, devido à greve da CP,  não houvesse comboio. Ao longo do dia, em vários momentos, a caminho da capital, no trabalho, na própria aula, houve troca de palavras, comentários, ações que despoletaram sensações de desconforto em mim. Não foi absolutamente nada de especial. Tenho plena consciência disso, mas logo uma porta interna se abriu no meu peito como que a relembrar-me de que há uma ferida ali para curar. Sabem qual é a minha reação imediata? Querer fugir das pessoas. Voltar para...

Pela noite adentro porque somos todos buscadores mesmo que não saibamos do quê.

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Pela noite adentro porque somos todos buscadores mesmo que não saibamos do quê. Foi a frase que gravei na minha mente enquanto me embrenhava nos carreiros de terra paralelos à Avenida de Berlim. Já falei tantas vezes sobre as minhas caminhadas e a necessidade que tenho delas, que pouco há a acrescentar. Sexta-feira estava uma lua cheia lindíssima. Tentei captá-la, sem sucesso, pela máquina fotográfica do telemóvel que não lhe fez jus. Quando ontem voltei àquele ponto de passagem tive plena consciência de que procuro algo. Procuro algo quando olho para o céu. Procuro algo quando fixo a minha atenção nas folhas caídas ou nas estradas enlameadas. Procuro algo quando observo uma qualquer pessoa encostada à parede dum café de esquina a fumar um cigarro. Procuro algo quando leio as mensagens escritas nas paredes de uma casa em ruínas. Procuro algo quando me deixo encandear pelos faróis dos carros que travam na passadeira. Procuro algo quando vejo mãos desconhecidas a percorrerem os sacos do...

"Isto também passará!"

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"Isto também passará!" Já ouviram esta frase? Conta a história que... e poderão encontrá-la aqui:   Isto também passará . Li este texto há uns anos. Não consigo precisar exatamente quando, se foi antes de 2020 ou depois de 2020. 2020 é um marco importante na minha vida, como foi 2014. Por ser mais velha, mais resistente 😅, aguentei os embates de outra forma. Aguentei-me! O meu barco não naufragou, mas sem dúvida que 2020 pertence à lista de marcos pessoais que separam um antes e um depois. Antes-de-Lídia e Depois-de-Lídia. E neste depois de Lídia que se vem prolongando desde 2020, recordo então esta frase:  "Isto também passará!"  Soube hoje, através do facebook, que um antigo colega de faculdade faleceu. A partida dele, e apesar de não lhe ser próxima, reforça em mim a consciência da perecidade da vida e de como estamos de passagem. Tudo o que for bom terá um término. Tudo o que for mau terá um término. Nem a nossa felicidade nem os nossos dramas serão eternos. Ne...

Ainda...

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Não tenho respostas e coloco poucas perguntas. Talvez me assemelhe a uma avestruz a esconder a cabeça na areia mas, de momento, é a minha melhor forma de aguentar. O mundo está um caos. A guerra na Ucrânia continua, a crise energética ameaça o próximo inverno, a inflação sobe, os preços de tudo estão a aumentar. Tento fazer uma gestão mais racional do meu dinheiro e afasto-me de todas as notícias para não antecipar cenários que não sei exatamente como se irão desenrolar. A par disso, vejo-me perdida na minha fé, ou na falta dela. Não sei mais no que acreditar. Hoje de manhã, enquanto tomava o pequeno-almoço, imaginei por momentos que somos apenas fios de energia ligados a um sistema central, fios esses que um dia serão desligados. Talvez não tenhamos consciência do que somos e muito menos de quando deixamos de ser uma qualquer coisa. À vinda para Lisboa olhei para a fila de prédios novos, robustos, modernos que preenchem as ruas do Parque das Nações e pareceu-me tudo tão irreal. O cami...

Conselhos para a vida

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Confia. Prioriza-te! Sorri muito. Faz exercício. Vive a tua vida. Lê um bom livro.  Agradece pelo que tens. Faz o melhor que sabes. Acredita em ti mesm@. Não deixes que sejam os outros a determinar o teu valor.

Passado

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As pazes com o meu passado estão a vir da forma mais inesperada. Cansada das leituras habituais e inspirada por uma amiga minha, peguei nos meus velhos livros de "Uma Aventura". Era fã desta coleção quando era jovem. Ao longo do folhear das páginas, vêm-me imagens do meu passado, vislumbres de momentos idos. Vejo-a a ela, essa menina que me habita e tenho uma sensação bastante forte de que ela já não carrega aquela dor que lhe foi, em tempos, tão penosa. Nunca antes a encontrei e a senti tão em paz como hoje.  (Foto wikipedia)

Simplicidade

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Sempre acreditei - e ainda acredito - que viemos a este plano para evoluirmos. Contudo, a minha noção do que significa "evoluir" tem sofrido alterações ao longo do tempo. Já me considerei uma "pessoa evoluída". Hoje percebo o quão grande era a minha ignorância e soberba. Consigo assumir mais facilmente que nada sei e essa tomada de consciência até que me traz uma certa tranquilidade. Não finjo ser o que não sou, nem saber o que não sei, nem pensar o que não penso. Sou ignorante e desconhecedora de muita coisa. Paralelamente, vou-me conhecendo melhor porque o assumir o que não se sabe também implica que se saiba alguma coisa. Ontem a minha bff alertava-me para não cortar tão radicalmente com o caminho que trilhei até hoje. Não pretendo fazê-lo mas também não consigo forçar-me a aceitar "dizeres" que, ainda que possam ser verossímeis para os demais, para mim ainda carecem de muito escrutínio. Respondi-lhe por fim: - Quero simplicidade! Apenas isso! Hoje, ao ...

Maturidade Emocional [conto]

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 Os Amigos e a Bailarina “Eram dois amigos inseparáveis. Conheciam-se desde crianças e mantinham laços indestrutíveis de amizade e carinho. Certo dia conheceram juntos uma bailarina. Que mulher aquela! Não só era amável como lindíssima e cativante. Nunca tinham visto uns olhos tão expressivos e de uma apelativa cor de âmbar como os dela. Chegara numa caravana. Quando os amigo s a viram redopiar à sua frente com a flexibilidade de um lírio e a energia de uma torrente, apaixonaram-se de imediato por aquela jovem fascinante. Os dois amavam-na e estavam encantados com a jovem. Ela entregava-se a ambos com a mesma ternura e paixão. Passaram semanas e, um dia, um dos amigos disse ao outro: - Vivo atormentado pela ideia de um dia podermos ficar sem ela. - Mais cedo ou mais tarde, todos ficaremos sem tudo aquilo que temos – repôs com serenidade o outro amigo. Passaram-se meses. Os amigos mantinham uma relação perfeita com a sugestiva bailarina. Aos amanheceres sucediam-se os entardece...

Que vês em ti?

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Há trabalhos verdadeiramente hercúleos que nos levam uma vida inteira até que consigamos levá-los a bom porto. Acho que nunca poderemos dizer em plenitude e  com convicção que "entendemos", "encaixamos", "integramos" e "aprendemos". É um carrossel de subidas e descidas, de insights  que nada mais são do que isso mesmo, instantes, rasgos de consciência. Regressei esta semana ao ginásio. Tenho tentado que a minha principal motivação seja o meu bem estar mental, primeiramente, e depois físico. Mas a passagem do tempo tem me vindo a mostrar que há sequelas interiores que não podem ser curadas meramente com calorias perdidas no ginásio. Quando me olho ainda me vejo com desconfiança e quando me olho ainda não gosto do que vejo. É verdadeiramente contraditório como eu, crente na existência humana e no direito à existência de cada ser, e acreditando que se todos viemos do mesmo local não podem haver uns melhores do que os outros, ainda reconheço tão de m...

"O Julgamento"

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Limpa, esfrega, lava, estende, tira o pó, aspira, muda de sítio, organiza... Começou assim o meu fim de semana. A organizar a minha casa e a organizar a minha mente. Ao final do dia de Sábado tinha a sensação de dever cumprido. Foi um fim de semana intenso, de limpezas, tomadas de consciência e conclusão de processos.  Como escrevi dias antes, não dá para apressar processos, mas quando é tempo de terminar, é tempo de terminar.  Hoje vislumbro o início, o meio e o fim. Tenho a visão completa do desenrolar da história. A história que me permitiu crescer. Há uma semana tinha fotografado a imagem da Nossa Senhora que desde essa altura defini como imagem do ecrã do telemóvel. Dei por mim a pedir o seu auxílio. Talvez Ela me tenha ouvido e, por circunstâncias de vida que entretanto se proporcionaram, seja atualmente possível seguir um caminho com menos bagagem. Levo o que preciso. Nem mais, nem menos.  Sigo com esperança, com fé. Ainda choro com o que me dói mas nas minhas lágr...

Testes da vida

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A vida testa-nos para verificar a força dos nossos argumentos e convicções. Estou a terminar a leitura do Caibalion , amparada pelos ensinamentos da Prof.ª Lúcia Helena. Observo o meu pêndulo interno e percebo que, após um 2018 e 2019 de fortes oscilações, ele tem vindo a equilibrar-se. Independentemente de como sejam os meus dias, sinto em mim uma estrutura mais consistente do que alguma vez senti. Ainda assim vou encontrando circunstâncias de vida que testam os meus limites e capacidade de encaixe. Tenho algum controlo sobre aquela menina impulsiva que encontrei em mim durantes anos a fio. Mas sinto. Ainda sinto a frustração e irritabilidade. Felizmente, as horas de almoço já não são acompanhadas por um frio extremo. Está sol. O sol convida-me a sair para fora destas quatro paredes, a ver o mundo lá fora.  Olho para mim, analiso as minhas ações e comportamentos. Sempre ouvi dizer que os outros tratam-nos de acordo com a forma como nos tratamos a nós mesmos. Nas diversas vert...

Sábado

O meu Sábado começou cedo mas fiquei na ronha mais tempo do que desejaria. Por fim, meti-me no carro e pus-me a caminho, sem destino. Pensei em vários locais mas nenhum me satisfazia. Deixei-me ir até onde o combustível me permitisse chegar e regressar a casa. A meio do caminho, apenas na companhia dos meus pensamentos, pedi à vida que me encaminhasse. Aqui estou a escrever num cafezinho de esquina em Paço de Arcos. Esta ausência de rumo é me bastante familiar. Não há drama aqui, apenas constatação. Mas sabem o que é curioso? Acabo por prestar muito mais atenção às pequenas coisas do momento. São locais novos estes. Imagino a quantidade de pessoas que já passaram por aqui. Em menos de 50 anos a maioria dos que agora aqui se encontram, já não estarão neste plano. A transitoriedade da vida é um facto de fácil comprovação. As fotos em que me capto a mim mesma já registam os meus cabelos brancos. Não desejo escondê-los. A bem da verdade, já não desejo esconder muita coisa sobre quem so...

"Render a vontade ao que somos" [Excertos]

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 "Quem se entrega à sua natureza íntima, deixando-o dirigir a sua vida, aproxima-se inexoravelmente do seu Ser Superior ou Supraconsciência, self ou Faísca Divina, que está perfeitamente sintonizado com a Totalidade e acaba por viver o êxtase de ser canal da Divindade. Não há dúvida de que este é um caminho de sofrimento do ego que inventará infinitas ilusões para não ser desativado. Precisamos de estar atentos para não perdermos a voz do coração. Neste caso, a dor do ego (1) pode passar quase despercebida perante a plenitude e a gratificação profunda que se obtêm quando nos entregamos à Existência. (...) A fonte da dor não provém de não ser o que pensamos que temos de ser, mas de não querer ser o que realmente somos. Em vez de pôr a vontade no que não somos, a questão é render a vontade ao que somos. A única responsabilidade é ser honesto consigo mesmo neste ponto." Veet Premad (1) - Neste caso o autor interpreta ego como máscara . (Nota 8Alaya) (2) - Imagem: Estátua de Hera

Retorno

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Vim passar uns dias de férias. O voltar à família faz-me crer que há coisas que não mudam. Por um lado, agradeço pelo que tenho. Por outro, acabo por encontrar sempre a minha menina interior, e isso não é fácil. Está nela o meu passado, o meu Eu que queria crescer rápido de mais, mas que encontrou um processo moroso. Cronos é implacável. Há que aceitar com a mesma maturidade que ele próprio exige. O seu frio estrutura o meu ser interior e, se bem que o calor da estação em que a minha alma escolheu nascer tente entrar, encontra frequentemente barrada o seu trajecto. A vida puxa-me de sul para norte e eu bem tento ir, mas quase sempre com pouca vontade. Nos últimos meses, e em diversas circunstâncias, vi espelhadas partes de mim que tive dificuldade em reconhecer. Sou isto mas quiçá preferisse ser aquilo, não sendo propriamente claro o que é "isto" e o que é "aquilo" e qual a diferença entre ambos. É o meu eterno retorno a uma velha questão de querer definir e assumir...

Dia 20

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Dia 20, véspera de Sábado, véspera do dia 21 dos meus registos.  Supostamente são precisos 21 dias para implementar novos hábitos. O desafio a que me propus ficou logo pelo caminho, mas como confio imenso na vida, deixei que os dias seguissem o seu rumo natural para a eventual aprendizagem do que me fosse necessário. Cheguei então ao dia 20, dia de reflexão sobre O Pendurado pela voz e conhecimento do fantástico Veet Premad. Recebo estas partilhas como eletricidade que me desperta e me acorda ! Sugiro este estudo a todos, até para descrentes no tarot, desde que não sejam descrentes da vida.

Dia 4

Ando em conflito comigo mesma, é um facto, sobretudo na forma como me apresento. Não vejo este conflito necessariamente como algo mau. Reconheço-o como um vislumbre das várias máscaras que vão oscilando e eu, de certo modo, busco por uma definição de qual delas estará mais próxima da essência. A questão é: qual é a minha verdadeira essência? Imaginem que há um momento na vossa vida em que decidem que, de agora em diante, querem ser o mais fiel possível a vós mesmos, mas como ainda não sabem bem quem são, não conseguem perceber onde reside essa autenticidade. Pois bem, assim sou eu neste momento da minha vida! E se bem que queira andar invisível durante o processo, também começo a perceber que ainda procuro o reconhecimento exterior mesmo que seja dessa minha invisibilidade. Ou seja, parece que muda muita coisa mas no fundo não muda nada!

11:11

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Faltam menos de dois meses para o final do ano. Astrologicamente tenho lido que estes meses vão ser desafiantes. Hoje temos o portal 11:11, dia 19 teremos uma fortíssima lua cheia e em Dezembro ocorrerá a quadratura exata entre Úrano e Saturno. Como cada um de nós viverá os seus efeitos, só o futuro o dirá. Por ora sei apenas que sinto diariamente o frio a entranhar-se nos ossos e tenho tido maior dificuldade em adormecer. Se já era antissocial, ainda estou mais, sem qualquer peso na consciência. As minhas hormonas deixam-me dormente, num quase estado de letargia. As minhas companhias são os livros, os áudios e as minhas gatas. Sairei deste marasmo, acredito! Mas não agora. Numa altura em que tantas frechas estão abertas e os véus que separam os planos parecem tão ténues, apetece-me selar portas e janelas por onde possa entrar qualquer poeira mental. A ignorância impera. O medo impera. Não são bons sintomas sociais. A contragosto vou-me esforçar por caminhar, para que no silêncio do en...

Vista de outra forma

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Ontem tirei um dia de férias. Nada correu como tinha planeado. Acabei por ficar por casa, entre limpezas, vídeos de filosofia e sestas acompanhadas pelas gatas.  Foi um dia perfeito apesar de, aparentemente, parecer pouco produtivo. A minha melhor amiga comentava comigo: "há quem goste de ir às compras, tu preferes alimentar a alma." Parece-me que sim! Tenho de assumir, se não a todos, pelo menos a mim mesma, de que estava ansiosa e talvez por isso tenha procurado palavras que obrigassem o meu cérebro a transmitir outro tipo de informação ao resto do corpo. Os meus medos mais antigos permanecem. Medo da perda, medo da ausência, medo do próprio medo. Apesar de me ter tornando numa pessoa bastante autónoma, de ter trabalhado o tal desapego emocional, ainda resistem pontas soltas, imensas pontas soltas a moerem-me os calcanhares. Hoje, a caminho de Lisboa, fui transportada para a minha primeira vinda prolongada à capital. Há 21 anos comecei os meus estudos universitários e mudei...