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Finais de Outubro

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A última semana foi de intempéries, incluindo as emocionais. Felizmente, tudo teve resolução e, em véspera de mini-férias, espero poder descansar sem sobressaltos. Cada vez me vou encontrando mais, e quanto mais familiar é o meu mundo interior, mais estranho me parece o mundo exterior.

Faith is a gift. Ask for the gift

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23 de maio. Após um abril de praia, maio trouxe chuva. Ainda assim não está frio. Eram cerca das 17h30. Não me apetecia ir ao ginásio. Quero casa. Opto por caminhar até Alcântara e até lá chegar sou abençoada com uma carga de água. Pessoas refugiam-se nos beirais, nos cafés, nas paragens do autocarro. Eu não paro. Sigo. Ouço o trovejar, os flashes dos relâmpagos e sinto que é a voz Dele. Entra-me pelas narinas o cheiro de relva molhada. Encolho-me debaixo do pequeno chapéu e sigo. É maravilhoso. Mesmo na altura em que eu procurava a magia, eu já valorizava estes momentos. Hoje ainda sou mais grata pelo reconhecimento Dele nesta imensidão. Ainda assim, não sei se acredito. Mas preciso de falar sobre a minha dúvida porque para superar dúvidas é preciso reconhecê-las. Não sei se acredito, mas quero. Ouvi ontem e talvez isto resuma tudo: Faith is a gift. Ask for the gift.

... enquanto pessoa estranha que sou, gosto de dias estranhos....

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10 de outubro, pelas 20h30... Chove a potes! Retomei as aulas de aéreos hoje e, de que cada vez que me ausentei do escritório, molhei-me. Desconfiada dos serviços meteorológicos que das últimas vezes não acertaram uma, vim de ténis, casaquinho de ganga para o Verão e o chapéu de chuva ficou em casa. Corridas para um lado e para o outro e em diálogo constante comigo mesma repetia: “devia ter ido para casa”. Talvez devesse, mas não fui. Retomei a marcha para a escola. Desafiei-me uma vez mais. Fiz figura de ursa uma vez mais. Senti-me uma croma uma vez mais. Mas vou continuar, sobretudo porque detesto achar que há qualquer coisa de errado comigo e que essa qualquer coisa me retira o direito de lá estar. Vou mesmo sendo ursa, sendo croma, e todas as mais emoções/sensações que me possam, invariavelmente, continuar a acompanhar. Verdade seja dita, também não sei bem qual é o meu lugar. Se me perguntassem de que gosto eu, responderia apenas que gosto de caminhar. Que diz isto d...

Caminhante

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A semana começou chuvosa, influência da tempestade extra-tropical Danielle. Altura de calçar as botas e recorrer aos agasalhados, pelo menos até Quinta-feira. A caminho do dentista, hoje de manhã, admiti para mim mesma o quão tóxica me sinto. Não me considero uma boa companhia presentemente. Não me apetece fazer fretes, nem dizer palavras simpáticas nem ser altamente compreensiva. Não tenho pretensões de ser boa conselheira nem boa ouvinte. E não me quero forçar a sê-lo.  Mais uma vez retiro-me, regresso ao meu interior. Talvez isto seja o melhor que posso, nesta altura, fazer por mim e pelos outros. Respeitar o meu espaço e vontade e respeitar o espaço e vontade do outro. Sei que no convívio aprendemos imenso, crescemos e descobrimos coisas sobre nós mesmos. Mas no convívio também nos poderemos perder.  O que é meu e o que é das pessoas com quem convivo? Onde se separam e se distinguem as crenças e fé de cada um? Pode parecer que não há problema algum, mas há. Quando começamo...

Novembro

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Bem vindo Novembro da chuva, do anoitecer precoce, do lugar dos meus sonhos. Desejo tanto conectar-me contigo mãe natureza, matriarca dos quatro elementos! 

O eterno retorno

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Voltei às caminhadas, mas não exatamente da mesma forma.  O caminho é o mesmo. Atravesso o Jardim da Estrela, desço pela Calçada da Estrela, passo junto à Assembleia da República, continuando pela Rua de S. Bento. Atravesso a Rua dos Mastros e viro à esquerda. Os meus pés seguem rumo pelo Largo Conde-Barão, Rua da Boavista, Rua de S. Paulo, Rua do Corpo Santo, Largo do Corpo Santo, Rua do Arsenal até chegar à Praça do Comércio. Para quem me leia talvez isto não tenha importância nenhuma, mas para mim tem e muita. As caminhadas que faço por Lisboa estão ligadas à minha alma e em cada passo na matéria, sinto que também a minha alma caminha. Há coisas que não consigo explicar por palavras e esta é uma delas. Regresso aos mesmos locais porque reencontro em cada canto memórias de Lídias do passado. Consigo ter presente a roupa que vestia, o que sentia, o que me vinha à mente, onde entrei, onde saí, se chovia ou se fazia sol. Lembro-me da Lídia que, naquele instante que hoje é passado ti...

Noite

A noite passada foi de chuva, relâmpagos e trovões. Clarões irromperam pelo meu quarto.  Tal como uma criança fui a correr para a janela da cozinha a tempo de ver o espetáculo natural que registei através do telemóvel. Não sei se é a lua cheia de há dois dias, e que ainda se vê nos céus, que me está a tirar o sono. Adormeço mais tarde do que era habitual e acordo com muito mais sono. Ou talvez seja apenas a energia do Outono que chegou ontem. O contraste que se vê nos céus é a imagem da dicotomia/dualidade que acompanha o ser humano, e sobre a qual me tenho debruçado nos últimos meses. Sei que volto sempre ao mesmo assunto, mas neste momento é quase inevitável considerando a fase da vida na qual me encontro. E penso nisto... muito! Ontem falava sobre a inspiração que tem sido para mim assistir àquelas palestras de Filosofia. Contudo, ao regressar a casa senti-me muito cansada e até enjoada. O mesmo aconteceu hoje de manhã e acabei por não voltar ainda a pegar nos papéis nem nos áud...

Hello Darkness

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Hello darkness, my old friend I've come to talk with you again Because a vision softly creeping Left its seeds while I was sleeping And the vision that was planted in my brain Still remains Within the sound of silence The Sound of Silence, Simon and Garfunkel

Chuva

 O "meu" Cartaxo à chuva. " Gosto de ti, ó chuva, nos beirados, Dizendo coisas que ninguém entende! Da tua cantilena se desprende Um sonho de magia e de pecados." (Florbela Espanca)

Cai a chuva no portal, está caindo [Lídia Jorge]

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Cai a chuva no portal, está caindo Entre nós e o mundo, essa cortina Não a corras, não a rasgues, está caindo Fina chuva no portal da nossa vida. Gotas caem separando-nos do mundo Para vivermos em paz a nossa vida. Cai a chuva no portal, está caindo Entre nós e o mundo, essa toalha Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo Chuva fina no portal da nossa casa. Por um dia todos longe e nós dormindo Lado a lado, como páginas dum livro. Poema de Lídia Jorge, minha homónima! Em 2017, este poema preencheu outras folhas. Já me tinha esquecido. Mas o dia chuvoso de hoje inspirou-me a procurar poemas e redescobri este novamente. Quero referir apenas que gosto da chuva. Gosto dos dias de chuva. E também gosto de outras coisas que talvez não sejam para mim. Talvez a vida não me as dê.  Curiosamente, às vezes sinto que a chuva são as lágrimas que eu não consigo chorar. Assim os céus choram por mim, até que eu aprenda, novamente, a fazê-lo sozinha.

Gosto [Ao som da Natureza]

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Excerto de um post de 2012. Fico feliz em saber que há coisas em mim que não mudam :) " Gosto de sentir o vento, gosto de ouvir a chuva, gosto do som melancólico que me envolve e me abraça... Som tão diferente do barulho dos carros, do trânsito, das teclas do computador, do pousar do auscultador, do abrir e fechar de portas e dos passos apressados…."

Está tudo bem!

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Entrego-me, rendo-me, aceito! Peço tréguas à minha mente, paciência ao meu coração. “Está tudo bem!”, digo. “Está tudo bem! Está tudo bem!” Conseguirei convencer-me disso...

Dark Horse

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Repito-me demasiadas vezes. Tudo o que possa escrever hoje, já escrevi antes. Ainda assim... ** Ontem perguntei-me a mim mesma se estava orgulhosa de mim e do que conquistei até este momento. Acho que se perguntasse à Lídia dos 15 anos, talvez ela se sentisse desgostosa. Mas a Lídia dos 37 limita-se a encolher os ombros e a sorrir. Talvez não fosse o que escolheria para si, se pudesse escolher. Ou talvez fosse!... ** Iniciei esta semana umas aulas novas que terminam já tarde. Faço o caminho a pé da escola até Santa Apolónia, passando por Alfama, mesmo junto às Portas do Sol. Está frio e chove. Veem-se alguns estrangeiros e as tascas enchem-se com fãs do futebol. Estranho passar por ali àquela hora, sozinha. E quando penso nisto, percebo que toda a minha vida é estranha e que em nada parece seguir os moldes familiares. Ainda não estou completamente em paz com isso mas, por outro lado, não conseguiria imaginar a minha vida a ser diferente.  Se eu conseguisse silencia...

Dançar à chuva

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Vou com a chuva. Vou com o vento. E sorrio. Passo por demente, insana, uma louca sem vergonha. E continuo a sorrir. A chuva limpa-me do que já não serve. O vento leva-me para onde tenho de ir. Vou à confiança de olhos bem fechados. Confio. Já não tenho medo.

Caminhadas à chuva

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Sou uma pessoa com gostos simples. Gosto de Lisboa, fascina-me a noite e adoro a chuva. Acresce que não tenho um particular talento para tirar fotografias pelo que a minha tentativa em registar estas minhas três paixões ficou um pouco aquém. Dias de chuva convidam a um passeio. Não receio os pés molhados nem a roupa encharcada porque regresso de alma lavada. Chego a pensar que talvez ainda não tenha plena consciência da revolução que vai acontecendo dentro do mim a cada passo que dou. Mas há coisas que são assim. Não têm de ser compreendidas, nem explicadas. É para sentir. E eu sinto, sinto intensamente enquanto penetro na escuridão da noite e vivencio cada gota de água a escorrer pelo rosto.

À procura da simplicidade

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Reajo ao estado do tempo, mas os dias de chuva não costumam ser de tristeza mas de serenidade. É no recolhimento, quando me viro mais para dentro, que me entendo melhor. Ando inconstante na minha prática de yoga. Já não há o furor do verão e aquelas noites enérgicas em que me levantava às 2 da manhã para me desafiar no tapete. Quero calma. Procuro o simples, a beleza da simplicidade. Estou a esforçar-me por encontrá-la.