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Caminho da alma

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E fez-se silêncio. E no silêncio ouvi o que não antes tinha ouvido, e senti o que não antes tinha sentido e fui o que sei que já fui um dia. Quando entramos no caminho da alma, não nos são dadas certezas pela razão mas pelo coração. E o meu pequeno grande coração vai batendo apesar do medo em penetrar em zonas mais cinzentas. Há memórias que vão trepando pela árvore da vida em busca de uma pontinha de luz do sol e elas lá chegam, ou estão a chegar, ou chegarão no momento certo. Ainda há "aindas". Ainda há o que não encaixa ou teima em não desgrudar. Ainda há os meus próprios preconceitos e resistências. "Tudo a seu tempo!" - oiço-me a dizer. Tudo a seu tempo!

Monsanto

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Vim para Monsanto à procura de inspiração. O mundo natural relembra-me a  minha própria naturalidade perdida. Na natureza, sinto-me acarinhada  e os ramos estendidos das árvores encorajam-me a ter novamente presente a minha verticalidade. Após tantos anos curvada sobre mim mesma, em constante modo embrionário, anseio por abrir o peito e estender os braços em direcção aos céus. Ainda me encontro imersa nas águas profundas do meu ser onde mergulhei há uns meses, mas já consigo ver os raios de sol a incidirem no meu corpo. Consigo ver as pontas dos meus pés e o movimento das minhas mãos a abrirem e a fecharem. Não há nada para conter e tudo para deixar ir livremente. É certo que a cura se faz gradualmente. Resistem ainda silêncios dolorosos, palavras e perdões que, de momento, ainda não têm espaço nem tempo para se manifestarem, mas o que tenho e quem sou de momento chegam.