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Do aniversário e outras reflexões

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Ontem foi o meu dia de anos. Escolhi como destino o Mosteiro da Batalha, na companhia das pessoas que são mais importantes para mim. Recebi votos e mensagens de muita gente. Algumas pessoas, de quem eu esperava mais, não o fizeram. Um grande amigo meu, com quem falei há pouco tempo, comentava comigo a propósito das relações entre pessoas, que não temos de dar apenas em consonância com o que recebemos mas também não pode ser sempre o mesmo a dar e o outro a receber. Isto é válido para todos os tipos de relações. Faz-me colocar, uma vez mais, tudo em perspectiva. Não posso dizer que estou desiludida com isso mas, sem sombra de dúvida, que me obriga a questionar e, sobretudo, torna-me muito mais exigente nos relacionamentos. Cada vez entendo melhor que sou eu que tenho de ter a força de vontade para deixar ir quem não me trata com o mínimo de respeito. Por outro lado, cabe-me a mim definir os limites do que é aceitável e não aceitável, do que é permitido e não é. E, acima de tudo, consegu...

10 minutos de palavras

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Depois de duas semanas de treino intensivo, fui-me abaixo esta semana. Questionei se era por uma questão hormonal ou cansaço físico. Por fim, concluí que talvez esteja a abusar das lentes de contato enquanto me sento frente a um computador durante 8 horas diárias. Sinto-me azamboada, diariamente. A minha mente não quer colaborar, nem o meu corpo. Há um alívio quando, ao final do dia, me deito na minha cama. É onde quero estar, a descansar e em silêncio. Não tenho paciência para ouvir os dramas das outras pessoas. Reconheço em mim uma certa frieza emocional mas não me sinto mal com isso. Acima de tudo, não me sinto obrigada a gostar, a aceitar, a ouvir e a estar presente. Não me sinto obrigada a ser atenciosa, maternal e mostrar disponibilidade. Irrita-me, sobremaneira, os "discos riscados". Ontem dei-me conta de que, na verdade, só me preocupo com um número muito reduzido de pessoas. A humanidade, no seu todo, é uma desilusão. Os dramas dos homens são uma peça de teatro de pé...

Pouco a pouco... - Visitas, tomadas de consciência e decisões

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Ainda não estou lá.... "Lá", esse ponto pouco definido que talvez nem seja o principal. As aulas de aéreos têm-me ensinado algo importante, a priorizar mais o processo, a caminhada, e não tanto a meta. A meta acaba por ser sempre efémera, porque mal a atingimos surgirá logo um novo desafio, uma nova ambição, um novo crescendo. Por isso, o processo em si, entre o ponto de partida e o suposto ponto de chegada, é tão mais importante. Entretanto, tomei novas decisões que ainda não consegui colocar completamente em marcha. Porque funciono melhor com prazos definidos, vou iniciar o processo de desmame das redes sociais que conto que esteja concluído no final do ano.  Isto é algo que já há muito tempo pretendo fazer. A meu ver as redes sociais têm mais desvantagens do que vantagens. Estão repletas de toxicidade e eu própria reconheço que, na maioria das vezes, ando em busca de validação exterior. Não quero mais isso! Não quero ser a pessoa que precisa disso! Gradualmente, vou substi...

I don't care!

Deixei de me importar com o que é supostamente certo, supostamente correto, supostamente adequado. Deixei de me importar com expectativas alheias, opiniões externas e devaneios de terceiros. Deixar de me importar é uma escolha, como foi uma escolha ter-me importado durante tanto tempo. Podemos perder, e perder até é aceitável, mas não nos devemos perder. Perder a noção de quem somos, dos nossos valores e dos nossos sonhos, até nos tornarmos em estranhos para nós mesmos. Sim, deixei de me importar mesmo que as minhas perguntas sejam cruéis e as minhas respostas sejam tortas. Mesmo que não me entendam. Deixei de me importar porque já me importei demasiado.

Mulher

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Celebra a mulher que há em ti! Celebra o lado terrestre e mundano! Celebra o lado celeste e sagrado! Celebra o que em ti é vida! Celebra o que em ti é morte! Celebra o que em ti é amor! Celebra o que em ti é dor! Vive a coragem e a determinação! Vive a face e a fase que surgem, o momento que se avizinha, o instante que germina aos teus pés! Vive os entardeceres e os amanheceres! Vive seja dia ou noite. Vive sobre a terra escaldante ou debaixo de chuva torrencial. Vive os sonhos, os desejos, os planos, a vontade, venham enrolados em certezas ou incertezas! Vive sem medos ou vive com medos, mas vive! Vive a intenção com intenção!

Quarto escuro

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Fevereiro é um mês tenso para mim. Junho é um mês de encontro. Agosto é um mês de confronto. E o resto do ano de autêntico recolhimento. Cada mês do ano serve no entanto, e apesar das características próprias, para me conhecer e conhecer o meu quarto escuro, aquele quarto de gladiadores mentais. Resolvi escrever sobre isto num esforço de superação porque desejo que qualquer tensão me sirva para resolver questões e não para me bloquear num enredo complexo demais. Sei de onde vem o conflito. Sei quais os gatilhos. Sei o que me desperta para um escorrega de confronto. O convite ideal é mergulhar nesse lodo mas ter todo o cuidado para não me afogar. Também é certo que posso limitar-me a fugir. Já o fiz. Já tentei. Não resultou. O que não resolvemos, persegue-nos. Ok. Não fujo mais. Sou uma pessoa conflituosa. Nem sempre manifesto isto exteriormente. O meu vulcão rebenta por dentro. Aprendi com o tempo a colocar um sorriso amarelo enquanto a lava ia escorrendo pelas minhas ve...

2020

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Hoje sinto-me bonita. Habitualmente é quando escolho a minha melhor roupa, arranjo o cabelo, maquilho-me e encho-me de esperança… Esperança! Pela milésima vez esperançosa! Misturo-me na multidão e oiço palavras, palavras, troca de palavras, palavras que ainda que numa língua tão familiar, o meu cérebro deixa a dada altura de as processar. Apago[-me]. Se beber uns copos de vinho estou pronta para aguentar tudo, tudo o que dói, tudo o que mói. Por norma é nesses momentos em que já não me sinto bonita, mas já bebi o suficiente para não me importar com isso. Relembro-me então que já estive aqui antes, milésimas de vezes antes... Já vivi isto antes… Já senti isto antes... Já fui o faz de conta.  Já fui uma forma, uma representação. Já fui o riso misturado com o choro e entre gargalhadas já gritei em surdina.  Mas hoje não. Hoje sinto-me bonita e não escolhi a minha melhor roupa. Não me enchi de esperança. O meu copo não tem vinho. Não me defino. Não me dou um nome. ...

A procura do EU

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E quando ouvires o ribombar dos tambores dentro da tua alma, saberás que estás no caminho certo ...

Live yoga off the mat

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So, I’ve decided to put my yoga practice on hold. After 7 years of ashtanga, I switched to yin yoga (for about two weeks) and currently I am practically not practicing at all except for the few poses that I do on my mat. It may sound odd why on earth would I leave behind something so important to me. Truthfully speaking, I am not. I’m not leaving yoga. I am leaving the way I used to see yoga and how I felt I should live it. There’s a saying from Master Yoda where he advises us to “let go of everything we fear to lose”. I had almost always been afraid of losing everything that I thought my body had accomplished. The strength, the flexibility, the dynamic, the discipline. All these things that I believed were making me an amazing person. The thing is I was never better nor worse because of it. We use our body to go deeper like a kind of temple that we have to gain access in order to realize things about ourselves that otherwise we probably would have missed. I am so glad that my yoga...

Resumo

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Expect nothing

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I went to yoga yesterday but it felt different. Nowadays it always feels different. One of my longest relationships has been with yoga. It started 7 years ago. We have had good and bad moments. I went from wanting nothing else but to practice, practice, practice to having to force myself to go to the shala, and the other way around. I hit the bottom several times, I filled myself with disappointment and allowed my ego to get the best of me. But then I would come back and try again. Every thing that was supposed to happen did happen. A mix of joy and tears, trust and disbelief. I had the uauuuu moments and the crappy moments. I did great and I did poorly – all entirely necessary. But relationships are meant to evolve and change. It’s natural! Truly speaking, I’ve lost my addiction and I’m happy for that. It is when we lose the addiction that we can start healthy relationships. Furthermore, my inner child - that was once so lost - is now content with what is, with how fa...

Choices

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Sometimes we are asked to make difficult choices, heart-breaking choices, the kind of choices that makes us wonder if we have done the right thing. Can we know for sure? No, we can't. We can only hope for the best. Growing up is about taking responsability for the life we live and the person we are becoming. After so many delusions played by my mind and my own expectations, I just want the truth now. I've understood that even if the truth hurts, it is still what hurts the least. Things don't become easier with time. We just find a way to cope with it... some how.

Quando

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Quando dá mais medo, insiste. Quando dá mais raiva, ama. Quando dá mais tristeza, sorri. Quando dá mais desilusão, perdoa. Quando tudo parece complexo demais, simplifica. Quando te apetece desistir, resiste. A vida são dois dias e não há tempo a perder.

Pássaro

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Aceitar como é. Aceitar como não é. Viver a presença. Viver a ausência. Receber o dia. Abraçar a noite. Acolher o tumulto. Aceder à calma. Aceitar. Não criar resistência. Deixar fluir. Deixar ir. Não prender. Não reter. Não aprisionar.

Quero

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Quero! Quero! Quero não querer. Já não é o desejo imerso nas lembranças do passado mas um ato de renúncia. Quero aquele nada que nada pede. O abandono que liberta, as amarras que não prendem, as lágrimas que não caem. Quero as palavras que restam depois das palavras que não foram ditas. Quero o monólogo naquele palco vazio. E o que ficou, o resto, a sobra, a sombra são como grãos de areia numa praia deserta esvoaçando ao sabor do vento.

Que a coragem nunca nos falte!

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Vimos a este mundo para evoluirmos. Acredito nisto. O cerne da evolução encontra-se no auto-conhecimento. Também acredito nisto. Há quem se conheça melhor, há quem se desconheça por completo. Não sabermos quem somos é não sabermos para onde vamos. Quando não sabemos para onde vamos, andar em círculos pode parecer o mesmo que andar em frente. Pode parecer, mas não é. Acima de tudo, não sabermos quem somos é não reconhecermos que o outro é como nós, feito da mesma matéria, com sonhos e medos, qualidades e defeitos. O outro não é diferente de nós. O outro não está separado de nós, nem nunca esteve. A Humanidade é singular. É UM. E portanto ela só poderá chegar ao seu destino se for inteira. O aforismo grego relembra-nos: "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os deuses e o universo." Tudo começa no conhecimento de nós mesmos. Reconhecermos, ou recordarmos a nossa verdadeira essência, é conectarmo-nos com o que está dentro, com o que está em cima, com o que está em baixo e com ...

Turbilhão

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Um turbilhão aproxima-se. Sinto-o como se ele viesse de fora mas tivesse o seu centro em mim. Há um misto de medo e esperança. Medo pelo que não sei, mas esperança pelo que posso vir a saber. O processo de autoconhecimento é incrivelmente doloroso mas costuma ser através da dor que aprendemos a renascer.

36

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Os meus 36 anos antecipam um conflito bélico. Não há contenções, nem filtros. A adrenalina sobe a cada embate. Se podia ser de outra forma? Sim, podia. Mas não ia ter a mesma graça.

Tudo muda e tudo fica igual...

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Tudo muda e tudo fica igual. Apetece-me procurar o que muda e fugir do que fica igual. Mas os dois a andam a par e passo como as duas faces de uma moeda. Se assim é, a fuga é ilusória. Na verdade, quantas vezes não nos aproximamos dos nossos medos convencidos de que estávamos a fugir deles? Talvez esteja na altura de enfrentar e por fim entender que nada é tão dramático como o drama a que a nossa mente dá vida.

Campo de batalha

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Tenho escrito sobre a repetição dos padrões de comportamento. Nem sempre é claro na nossa mente que estamos a repetir uma ação ou reação. Às vezes, nem tem a ver com a forma como fazemos as coisas mas sim como as sentimos. Este nível é mais subtil e talvez por isso não tão óbvio. Ultimamente tenho-me sentido como um barril cheio de pólvora. Chego a desejar que o barril rebente independentemente de quem seja atingido com isso. Este rodopio de emoções dentro do peito parece um autêntico campo de batalha do qual faço parte e sou espectadora. Há momentos em que consigo ser uma pessoa verdadeiramente horrível, entre o que penso e o que sinto, ainda que saia para fora muito pouco de tudo o que vem cá dentro. Não quero ser assim. A verdade é esta, não quero ser assim. Por um lado, a raiva e frustração são como venenos que injetamos a nós mesmos e nos tolda o discernimento. Por outro lado, ninguém consegue ser feliz deste modo. Optei, por isso, por trabalhar a emoção que está a fazer ...