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Ponto de partida

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São tempos de transformação. É um mix de dor com esperança. Dor pelo que fica pelo caminho, mas muita esperança no próprio caminho. Se há alguns meses ainda conseguia vislumbrar os raios de luz, hoje não os vejo. Sinto-me como se estivesse num quarto vazio e escuro, sem janelas mas com a porta bem escancarada. Não há nada que me impeça de sair, mas sei que o que está fora é igual ao que está dentro. Não tenho medo, porém! Não, não tenho medo! Hoje percebo que é na sombra que nos destruímos para da sombra renascermos. E viver a nossa luz implica também saber viver a ausência de luz. Admito que desejei este momento com a mesma intensidade com que o temi. Receio por tudo o que pode e vai fugir ao meu controlo. Lamento, por antecipação, cada perda e cada lágrima. Mas preciso tanto de me ver sem máscaras, sem artifícios e sem carências. Acima de tudo, preciso tanto de me VER realmente, como se eu própria fosse um parente meu que não vejo há imenso tempo e cuja ausência me dilace...

Tempo

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Tento travar-me mas ajo quando não devia. Tento agir mas paro contra a vontade. Tento resistir mas avanço. E avanço para desistir. E insisto quando devia parar. O meu relógio deve andar doido.

Sonho

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Sei o que faço e sei por que o faço. O maior desafio, a meu ver, é viver com as consequências da ação e da escolha que, acredito, não são boas nem más mas sim inevitáveis. Escolher sem medos. Decidir sem grandes demoras. E, por fim, aceitar sem lamentos. Seguir em frente mesmo que nada mais reste a não ser o sonho.  E se tudo falhar que não me falte a capacidade de continuar a sonhar!

Moinhas

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Hoje está um excelente dia para um passeio ainda que a mente esteja carregada de pensamentos e o coração pesado. Mas não há prova que não possa ser superada e, quanto mais pesado o fardo, maior deve ser a vontade em carregá-lo na nossa caminhada. Certamente já se deram conta que há tanto que não entendemos e nem é preciso ir a questões ou dramas existenciais. Basta estarmos imóveis num sítio, olharmos em redor, e apercebermo-nos do que há e do que não há, de quem está e de quem não está e isso, por si só, já dá espaço para inquirições. Há pouco tempo, numa aula, a minha professora dizia que "a dor vai existir até que o ser humano aprenda". De uma observação tão cruel como esta, sai uma grande verdade. E até podemos nem estar a falar de grandes dores mas apenas de... "moinhas na barriga"... Tudo o que é desconfortável é ameaça ao que é cómodo, ao que damos como certo, faz-nos repensar, analisar, questionar, relembrar que ainda não sabemos, nem aprendemos tudo...

E vou...

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É um bom dia para uma caminhada. É um bom dia para pegar na mochila e ir por aí. É um bom dia para que o "aí" não tenha limites e não pensemos na canseira do regresso enquanto os nossos passos nos levam para longe. Basta ir. Basta escolher ir.

Escolher agir

Questiono-me muitas vezes se as decisões que tomo são certas ou erradas. Sinto-me inquieta e enquanto reviro os olhos ou abano a cabeça, no meu íntimo surge a dúvida sobre se devo avançar ou parar. Não há como saber. Tento, porém, não ser levada pelo orgulho que me impeça de dizer o que sinto a quem devo na altura certa. Mesmo que nada receba em troca. Acho que há arrependimentos que não devemos carregar. E um deles é não termos tentado pelo menos. Por isso, vou tentando dentro do que posso e até onde sinto que posso ir. Dizem que a felicidade existe dentro de cada um de nós e cada vez acredito mais nisso. Se aquilo que vivemos diariamente, arduamente, são estes sentimentos, dúvidas e inquietações dentro do peito, porque não acreditar que também é aí que se gera a nossa felicidade? Quero aproveitar tudo e agir, decidir… Mesmo que não seja o resultado desejado. Quero aprender com isso e reagir com um sorriso quando tudo mais doer. Como me disse um grande...