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Sonhei contigo

Sonhei contigo. Fiquei feliz por te rever. Tinha — e tenho — saudades tuas. Não lamento muito o que disse ou fiz, mas lamento o que não disse. Lamento nunca te ter dito o quão importante eras para mim. Se o tivesse feito, talvez — e apenas talvez — pudesse acrescentar que também é difícil para mim lidar com o facto de seres tão importante. Hoje sei que a ausência se tornou mais confortável do que a presença, porque é à ausência que estou habituada. Sei o que é não quererem estar comigo; a opção inversa ainda me é estranha. Sim, tenho saudades tuas. Muitas. Mas, pelo menos por agora, ainda prefiro que estejas longe. Preciso de me curar, de me resolver por dentro. Preciso de me dar colo. Talvez um dia nos cruzemos novamente. Deixo isso nas mãos de Deus.

Dos sonhos

Tive um sonho esta noite. Tentei escrever sobre este sonho, mas não consigo. Não consigo registar toda a intensidade do que senti e, muito honestamente, não o quero fazer.  Ficará na minha mente e no meu coração. Que a cura ainda seja possível e que o (auto)perdão se torne numa realidade! Levo o sonho comigo, no meu cofre interior onde guardo o que de mais precioso tenho.

Saudades!

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Se olhar bem para o meu coração...  Que quero eu? Se prestar atenção aos meus verdadeiros sentimentos... Que desejo eu? Se retirar o medo por um lado, o orgulho por outro, o que é realmente importante para mim? A caminho de Lisboa, a olhar pela janela do comboio, dei por mim, num breve instante, a admitir que tenho saudades e que desejava rever partes do meu passado. Não sei se me será permitido, mas acredito que, para ter mais que não seja uma hipótese, deverei continuar no trabalho com o meu Eu interior. Para curar algo fora é preciso curar algo dentro. Sei que nem sempre estarei disposta a fazê-lo... Sei que nem sempre quererei fazê-lo... Mas quero acreditar que valerá a pena pelos dias em que eu seja capaz. Desejo mais do que nunca viver em verdade comigo mesma para conseguir viver em verdade com os outros. Dizem que o tempo cura tudo. Vou acreditar que sim.

Caminhadas noturnas

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As caminhadas curam-me. Sei que tenho abordado muito este tema nos últimos tempos, mas a verdade é que sinto que na caminhada revelam-se os meus momentos mais intensos. Mais até do que nas acrobacias da aula de aéreos ou o bodyattack que faço no ginásio. Não tenho explicação para este facto. Passei a minha infância e juventude numa pequena cidade ribatejana. Explorei Lisboa a medo numa primeira fase - e bastante reduzida - quando há uns anos vim para a faculdade. Mas desde 2019 que percorrer estas ruas tem me curado. Cansa-me o corpo, mas lava-me a alma.

Cabo Espichel

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Revisitei ontem o Cabo Espichel, um dos meus locais favoritos. Acordei nesta manhã de Sábado com uma alegria enorme só de pensar no passeio que ia fazer. Parecia uma criança a quem estavam a oferecer um presente. Assim o vejo, nesta possibilidade privilegiada de poder percorrer estes locais mágicos de Portugal. Relembrei, mais uma vez, momentos da minha infância. Este regresso ao passado tem sido uma constante nos últimos tempos e afirmo, com uma leveza no coração, que me sinto bem por fazê-lo. Na companhia dos meus pais, visitamos as ruínas e a igreja do Santuário de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Pensei na quantidade de gente que terá ocupado aquelas velhas casas atualmente desabitadas. O tempo passa mas há algo que se conserva naquelas paredes e naquele chão. Passamos, depois, junto ao Farol. Imaginei aquela luz forte a iluminar as águas do Oceano Atlântico que batiam ruidosamente no monte escarpado. Tantos marinheiros que terão passado por ali! Tantos que se perderam naquelas á...

Nós não queremos isso pois não coração?

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A Rua Possidónio da Silva tem uma vista privilegiada sobre Monsanto e o acesso à ponta 25 de Abril. Sugiro, para quem possa ter o mesmo interesse que eu. Deixo a minha captura fotográfica de ontem. Com um pouco de filtro consegue-se ver as nuvens no céu escuro. É maravilhoso contemplar este espetáculo natural. Este foi o meu post idealizado ontem enquanto caminhava. Ligeiramente diferente do meu sentir de hoje. Em conversa, fui alertada para o meu excesso de mente sobre a intuição. Fiquei perturbada, devo admitir.  Não por achar que é mentira, mas por saber que não é. Infelizmente isto remete-me logo para aquela busca do equilíbrio que eu não sei se atinjo, se alguma vez atingi, se alguma vez irei atingir. Sou levada a observar o meu coração escondido nas entranhas da minha alma. Enquanto miro apenas os cantos dos seus olhos, sorrio-lhe e retoricamente pergunto: "Nós não queremos isso pois não coração? Nada que faça sentir, nada que faça intuir..." Mentalmente fecho portas e ...

Dia 16

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Está frio, muito frio. O frio sente-se na pele e na alma. Mas a pele pode ser tapada, coberta. Já com a alma são outros quinhentos. Os meus sonhos desta noite levaram-me novamente para onde não quero ir. Quando acordo, resta o vazio. Gostaria de retirar partes do meu coração, mas não é possível. E ainda que me custe admitir perante o mundo o que sinto, não posso não admiti-lo perante mim mesma. Já alguma vez aconteceu quererem tanto algo de que fogem ao mesmo tempo, só pelo desconforto emocional que sentem? Convenhamos que na prática eu não fugi. Apenas aceitei a ausência como um mal menor. E de facto é um mal menor. Talvez por esse mesmo motivo a solidão me seja tão confortável e tão cómoda. Hoje, a caminho de Lisboa, refleti na minha própria contradição. Quis tanto que me vissem, mas ao mesmo tempo não quis e não quero ser vista. Quero mostrar o melhor, ocultando o pior e às poucas pessoas que mostrei o pior quis que se agarrassem apenas ao meu melhor.  Desejei ser o suficiente,...

Agosto

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Chegámos a Agosto. Julho foi um mês atípico, ou não tanto. O mundo saiu à rua para aproveitar o Verão. Eu, andando em contramão, virei-me para dentro. A vida pede-me agora para colocar um pezinho fora de casa. Faço-o mais por obrigação, do que por vontade. Sei, como comentava ontem com a minha querida professora Ana, que o trabalho não é só o que fazemos connosco próprios, mas também a transformação e cura que levamos aos outros. Mais que não seja àqueles que acham que temos alguma coisa para dar. Mas confesso, que esse papel não me vem naturalmente. A solidão e o silêncio tornaram-se demasiado confortáveis. O mergulho em mim tornou-se mais compreensível do que o caos citadino que se vai impondo. E pior do que o caos visível, é aquele que não se vê. A vida segue mas tenho a sensação de "tempo parado" ou, pelo menos, de abrandamento, como já tinha sentido o ano passado. A maioria dos planetas transpessoais estão retrógrados. Falta apenas Urano que se juntará ao grupo a 19 de a...

Quem fui?

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E se parecer que eu tenho saudades do que já passou, digo já que é impossível. Como poderia eu ter saudades do que já passou? Duas fotos tiradas em momentos diferentes (2017 e 2018). As fotos não têm propriamente nada de especial. "Apenas" me recordam de quem eu já fui e de quem eu já não sou. É agridoce devo dizer.

Recordações

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Tenho sido levada a pensar em demasia no passado, mas não sob a forma de saudosismo. Apenas sinto que há situações e pessoas que não voltam e nesse grupo incluo-me a mim mesma.  Dois anos depois relembro-me desta música que me acompanhava nas primeiras frias caminhadas de Janeiro de 2019. 💧Onde estive e onde estou! 💧Quem fui e em quem me tornei! Tudo no Universo tem uma razão de ser e nada falha, mesmo que possamos demorar algum tempo a reconhecê-lo.

Das saudades e não saudades

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Sinto saudades mas não sinto saudades. Sinto saudades dos momentos em que me senti livre, das risadas, do convívio, das jantaradas, dos comes e bebes, das partilhas, das palavras. Mas não sinto saudades de tudo aquilo que não me permitia que eu fosse eu mesma. É curioso como, por vezes, necessitamos de nos ver privados de alguns bens, pessoas e situações - o que dávamos como adquirido - para percebermos de que, no meio da azáfama, já tínhamos perdido a nossa voz. Mas no silêncio ela é audível. Parece um sussurro de fora e leva algum tempo até percebermos que nos encontramos em diálogo sincero connosco próprios. Este tempo é difícil mas é uma oportunidade, para alguns talvez a derradeira, de nos vermos, ouvirmos e sentirmos com genuína atenção e gentileza o bater do nosso próprio coração. Sim, sinto saudades de algumas coisas mas não tenho saudade alguma de não ser eu.

Um dia...

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Um dia sentirei falta disto tudo. Do verde de Monsanto que vejo da janela do escritório. Das horas de almoço em que me sento debaixo da minha árvore e espero em silêncio. Da rotina. Do casual. Um dia sentirei falta de tudo o que dou como garantido e verei a beleza do que hoje não vejo, como hoje vejo a beleza do que antes não via.