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Dons espirituais?

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Dons espirituais? Almas velhas? Sabedoria espiritual?   Debati-me muito com estas questões. Como podia ou devia analisar o meu próprio crescimento espiritual? Durante muito tempo associei-o à intuição e mediunidade, características que em mim nunca estiveram muito desenvolvidas.  Lembro-me de questionar se isso me faria menos desenvolvida espiritualmente do que outras pessoas. Quando me afastei do New Age, acabei por encontrar uma serenidade que até então não tinha tido. Tirei o ser humano do centro e coloquei Deus e todas estas minhas questões deixaram de ser relevantes. Estava há pouco a estudar a primeira carta aos Corintios e lembrei-me destas minhas questões antigas. A Igreja de Corinto tinha aparentemente o seguinte problema.  Alguns membros tinham o dom de línguas. Outros não tinham. Quem tinha achava que era melhor do que quem não tinha. Quem não tinha, porque não tinha, desvalorizava o dom de quem tinha.   O eterno problema do ego humano. ...

Sem apegos... Sem aversões

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Adoro o ashtanga com a mesma intensidade com que o “odeio” (entre aspas mesmo). Faz-me descobrir tudo o que posso ser. Faz-me descobrir tudo o que ainda não consegui ser. Mas a grande verdade, é que não interessa o que posso vir a ser, nem o que ainda não sou. Interessa o que sou hoje. Essa é a luta do tapete: a aceitação do momento presente. O yoga é não vivermos agarrados ao passado, nem ansiosos pelo futuro. É vivermos o tempo de agora. Quando o bom vem, aceitamo-lo e seguimos em frente. Quando o mau vem, aceitamo-lo e seguimos em frente. Não há apego… Não há aversão… Não há ondas que ameacem a nossa caravela que segue placidamente a sua viagem. Bem sei que é tão mais fácil falar do que colocar em prática. E quem sou eu para falar no que são escolhas certas ou erradas. Contudo, algo me diz que não dá para voltarmos a ser o que fomos quando já sabemos aquilo que antes não sabíamos.

Tapas

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Em Abril fiz um workshop com o Tomás Zorzo. Creio que na altura falei sobre isto. Para além da prática de asanas e pranayama, o Tomás também nos explicou os koshas e a importância de Tapas. Ele disse-nos várias vezes: "É importante perceberem exactamente o que Tapas significa." "Tapas" é um dos niyamas e, normalmente, é traduzido por disciplina. Sempre assumi disciplina como o "foco numa ação". Era esse foco que me fazia ir diariamente às aulas de yoga, era esse foco que me fazia querer progressivamente adoptar uma dieta vegetariana, era esse foco que me fazia tentar entender os yoga sutras, era esse foco que me fazia acreditar que este era o caminho para ser a melhor yogi possível. Enfim, talvez "tapas" também possa ser tudo isso. No entanto, Tomás deu-nos uma definição surpreendente: "tapas" enquanto a capacidade de nos desapegarmos do que nos causa apego. Isto fez-me pensar... Será que conhecemos os nossos verdadeiros apegos? Fa...