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Novembro 👉 Dezembro

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Novembro foi de silêncio... Recolhi-me por obrigação, necessidade e fuga. Se não viesse hoje aqui para me relembrar de palavras idas, talvez o silêncio se prolongasse por mais algum tempo na blogosfera. Este blog tem 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou na minha vida. Mas há uma génese, uma base, algo inato que parece permanecer. E talvez seja contra esse interior imutável dento de mim, que eu insisto em lutar. Devo dizer que, nesta questão, pouco ou nada mudei nestes 10 anos. Quando me vejo ao espelho, ainda sinto o desagrado, confidenciei ontem à minha terapeuta. Eu não quero ser assim, não quero pensar assim, nem sentir como sinto, mas parece que ainda não consegui mudar esta minha tendência. Não gosto de sentir da forma que sinto e não gosto de pensar da forma como penso e depois não gosto de saber que não gosto de sentir como sinto e penso como penso. Confuso? Welcome to my mind! Sempre senti dificuldades em delimitar quem eu sou sem doença e em quem eu me torno com a doença. On...

Lembrete!

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Por ora, é isto.

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Recorro imenso ao exercício físico, o que é curioso considerando que, nos meus tempos de adolescente e de início da idade adulta, simplesmente detestava tudo o que implicasse exercitar o corpo. Lembro-me de ter virado para a "intelectualidade" (e aqui a intelectualidade tem mesmo de vir entre aspas) muito cedo, não necessariamente pelo desejo de saber e entender, mas porque me parecia mais fácil evidenciar-me pelo uso da cabeça do que pelo uso do resto do corpo.  Não gostava do meu aspecto físico, considerava que não valia a pena investir na minha imagem e por isso foquei-me muito mais nas conquistas pela via académica. Consequentemente, e durante muito tempo, considerei e chamei de futilidade à atenção excessiva no corpo. Demorei anos a perceber que o corpo é o nosso templo, a cápsula que alberga a nossa alma e também ele merece ser bem tratado e respeitado. A descoberta do ashtanga, em 2012, foi o início deste percurso de redescoberta através do físico, do visível, do palpá...

Guerras Interiores

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A guerra estende-se há mais de um mês na Ucrânia. O preço dos combustíveis superou os 2€ por litro. Poeiras do Deserto do Saara passaram por Portugal há umas semanas. Fala-se na possibilidade de uma 6.ª Vaga da Covid. Os Óscares, que se realizaram esta madrugada, ficaram marcados pela bofetada que Will Smith deu a Chris Rock. O mundo está um caos, mas esse caos exterior é um reflexo do caos que existe no ser humano. A raiva que se destila nas redes sociais é um resultado da nossa raiva interna. A violência de que se fala nos noticiários é uma imagem da violência que encontramos em nós. Não dá para mudar o mundo sem que esse trabalho de mudança se inicie em cada ser humano. Gandhi sintetizou bem esta ideia 👇

O mundo dos pequenos e dos grandes ditadores

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Os últimos dois anos têm sido desafiantes a nível mundial. Ainda a situação do covid não foi completamente ultrapassada e já nos deparamos com uma guerra em solo europeu. Os mídia não falam de outra coisa. De repente, o número de infetados com o novo corona vírus perdeu quase toda a importância. Para mim tudo isto é surreal. As pessoas voltam a ofender-se mutuamente nos confessionários virtuais, isto é, redes sociais. O inimigo já não é o antivacinas mas o apoiante do PCP, partido esse que publicamente não censurou a invasão à Ucrânia. O inimigo já não é o negacionista, mas o russo. Condeno a guerra da mesma forma que condeno a manipulação das massas. Somos marionetas inconscientes da sua própria ignorância. Há dias em que para conseguir lidar com tudo o que vejo tenho de me afastar e fazer mesmo de conta que não estou neste mundo. Desconheço as saídas para a paz, para a tolerância e para a verdade. Não sei mais quem é o ser humano. Não percebo o que andamos aqui a faze...

Descidas

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 A calmaria da natureza contrasta com o meu caos interior. Gosto de calmaria mas tenho aprendido a amar também o meu caos. Já desci ao fundo do poço uma vez. Fui arrastada, forçada e fi-lo enquanto todas as minhas forças me abandonavam. É possível morrer-se e estar-se vivo? Sim, é possível. Acredito que todos nós, sem excepção, passamos por isto, uma ou várias vezes. E em cada regresso, descobrimos algo sobre nós mesmos que, até àquela altura, nos era completamente desconhecido: SOMOS MAIS QUALQUER COISA DO QUE AQUILO QUE ACHAVAMOS QUE ERAMOS. E isto é LINDO! A dor é uma merda, eu sei, mas renascer é lindo. Volto a descer ao fundo do poço, mas desta vez não vou contrafeita. Aprendi a aceitar a minha tristeza, a permiti-la, a dar-lhe tempo, a dar-me tempo para chorar o que tenho a chorar e a tornar - me mais leve nesta limpeza interior que vai sendo feita. E a sombra parece-me então tão linda como a luz porque também ela existe e faz parte de mim. E ao aceitá-la vejo-me inteira, ple...