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A mostrar mensagens de 2025

Novembro 👉 Dezembro

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Novembro foi de silêncio... Recolhi-me por obrigação, necessidade e fuga. Se não viesse hoje aqui para me relembrar de palavras idas, talvez o silêncio se prolongasse por mais algum tempo na blogosfera. Este blog tem 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou na minha vida. Mas há uma génese, uma base, algo inato que parece permanecer. E talvez seja contra esse interior imutável dento de mim, que eu insisto em lutar. Devo dizer que, nesta questão, pouco ou nada mudei nestes 10 anos. Quando me vejo ao espelho, ainda sinto o desagrado, confidenciei ontem à minha terapeuta. Eu não quero ser assim, não quero pensar assim, nem sentir como sinto, mas parece que ainda não consegui mudar esta minha tendência. Não gosto de sentir da forma que sinto e não gosto de pensar da forma como penso e depois não gosto de saber que não gosto de sentir como sinto e penso como penso. Confuso? Welcome to my mind! Sempre senti dificuldades em delimitar quem eu sou sem doença e em quem eu me torno com a doença. On...

Da vergonha

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Tenho POC. Não tenho vergonha de ter POC, mas sim daquilo em que o POC me torna. Na semana passada voltei às minhas caminhadas, e soube-me bem. Voltei a sentir uma alegria que às vezes me acompanha quando me aventuro por Lisboa, mas que nem sempre consigo encontrar — principalmente nos últimos tempos. Mas o pensamento lá esteve. É uma vozinha maliciosa que me segreda aos ouvidos mil e uma tragédias hipotéticas. Só há uma forma de acabar com os cenários imaginários — de forma provisória, claro, porque passada uma hora eles voltam. A compulsão surge aí, nesse momento. Pareço uma drogada, presa a um vício mental. E aí sinto vergonha. A minha psicóloga deu-me um exercício para fazer. Falhei, como já sabia que iria acontecer. Ridículo aos olhos de qualquer pessoa minimamente normal, mas também aos meus próprios olhos — ainda que eu pouco tenha de normal. O desafio dela obrigou-me a estar muito consciente de quando as obsessões chegam. Quero calar a voz, mas ela não cala. Quero acabar ...

Caminhadas felizes 🙏

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Lisboa

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Tem sido difícil pensar, sentir e até respirar. Mas ontem, por instantes, enquanto sentia o sol e mais uma vez me maravilhava com a beleza desta cidade, senti-me bem.

Das Travessias

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Estou a tentar melhorar. Estou a tentar ter maior consciência dos meus processos internos, dos meus traumas, das minhas dores. Mas nada é imediato e eu ainda anseio que tudo se processe quase que por milagre e de forma imediata. A minha mente tenta resistir a certos padrões. Apercebo-me disto. Mas há um espaço ainda grande que medeia a consciência e a mudança do hábito. E a verdade é que isto me deixa esgotada. O problema e a cura. As obsessões e as compulsões cansam-me. Tentar lutar contra elas, cansa-me. O trabalho tem vindo a tornar-se num problema, quando durante muito tempo não o foi. E agora é um problema a juntar a outros. O que não funciona, não funciona. O que parecia funcionar, parece não funcionar mais, e sinto um peso enorme nas minhas costas. Os momentos de ansiedade são frequentes, intercalados por breves instantes de alguma calmaria. Talvez esteja a complicar o simples, a dramatizar em demasia, a aumentar problemas menores. Mas esta é a minha perspetiva do que me ro...

Tenho P.O.C. [2]

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Tenho P.O.C. Perturbação Obsessiva-Compulsiva. Ou a P.O.C. tem-me. Os profissionais de saúde costumam dizer que nós não somos as nossas doenças mentais. Às vezes custa-me acreditar nisto. Sou assim deste há muitos anos. Os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência. Claro que na altura eu não sabia que tinha uma doença. Pensava apenas que era uma pessoa estranha. Pensava que tinha uma particularidade única e, de tão absurda que era, não conjeturava que pudesse haver mais alguém neste mundo que fosse como eu. Roberto Carlos, cantor brasileiro, é portador desta doença. Acho que lhe devo agradecer por ter descoberto que aquilo que eu fazia de “estranho” afinal era consequência de uma perturbação que afetava a minha mente. Em 2009, descobri o conceito e identifiquei-me com algumas das características. Há vários tipos de P.O.C. e subtipos. Nem todos os doentes têm as mesmas obsessões e nem todos os doentes desenvolvem as mesmas compulsões. Mas hoje entendo que há mais pessoas com...

Pausas

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Passou cerca de um mês da última publicação. Fiz anos entretanto. Fui de férias. Tive de mudar a bateria do meu carro novo. Iniciei as consultas com a nova psicóloga. Regressei aos treinos. Fui à missa no último Domingo. Não necessariamente por esta ordem. A par disto, tenho sido acompanhada por uma enorme ansiedade. Tenho dificuldade em dormir uma noite inteira e não consigo relaxar. Como a minha irmã concretizou tão bem, eu estou constantemente em modo de alerta.  Quero voltar aos momentos em que me sentia em paz e mentalmente teletransporto-me para as caminhadas junto ao Parque da Bela Vista. Lembro-me especificamente desta caminhada, de mochila às costas e a sentir-me nada cansada por estar a caminhar em dia de calor. Atualmente, até caminhar me cansa. Não tenho a mesma resistência que tinha há dois anos. Não sei se isto se deve a um cansaço físico ou é apenas consequência dos meus estados mental e emocional. Na maioria das vezes, busco refugir-me na minha casa e evitar grandes...

"CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS", autoria Padre João Torres

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Transcrevo, por completo, este texto do Padre João Torres para que me acompanhe quando me surgem tantas dúvidas de como viver a Fé de forma mais saudável. CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS Há quem fale muito de Deus… Mas o tenha esquecido no coração. À força de rezas e renúncias, de jejuns e silêncios, de hábitos e normas, há quem tenha secado por dentro. E não é culpa da oração. É que quando a fé deixa de ser encontro e se torna desempenho, o coração deixa de ser altar e vira tribunal. Tantos se dizem homens e mulheres de Deus, mas vivem mais atentos às falhas alheias do que às dores que passam ao lado. Tantos se consomem a medir saias, julgar gestos, pesar palavras, mas esquecem o abraço, a escuta, a ternura. Vivem a observar… mas não veem. A fé não foi feita para endurecer. Foi feita para nos humanizar. Não é a santidade que nos afasta do mundo — é a ausência de compaixão que nos isola. De que serve rezar longas horas se não somos capazes de pedir perdão a quem magoámos? De que serve com...

"Descansa no Senhor e espera nele"

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Sinto-me, por vezes, insuficiente e dou amplo palco às minhas imperfeições. Sei que Deus não me vê assim. Deus não vê ninguém assim. Gostava que as suas palavras entrassem por mim a dentro e fossem uma verdade incontestável. Mas a minha cabeça teima. O meu coração queixa-me. Somos todos nós convidados a descansar em Deus, mas eu nem sempre consigo. Ainda insisto em ser eu a resolver o tanto que me foge completamente do controlo. As paredes desta sala sufocam-me. Até os breves ruídos me incomodam. Mentalmente digo: "Não é nada convosco, sou eu! Sou eu que estou cansada, e confusa, e mentalmente doente. Sou eu que queria esconder-me em casa e não posso. Queria buscar a fuga que me trazem os momentos de sono e de sonho, mas não consigo fazê-lo a todas as horas." Perdoa-me Senhor. Eu quero! Eu tento! Mas sou falha todos os dias.  Acho que é isto que me permite entender melhor a Graça de Deus. O receber imerecidamente a graça de Deus. Se fosse pelas minhas ações e escolhas, estari...

Tenho P.O.C.

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Sou Cristã e tenho P.O.C. Tenho P.O.C. há mais tempo do que me lembro de ser Cristã. Deus é libertação. Tudo aquilo que o P.O.C. não é. Por norma consigo ter 4 ou 5 anos de relativa estabilidade até que sucede um período de crise. A doença ganha forma e a minha mente enfraquece. Tento fingir qualquer coisa para o mundo inteiro como se o mundo inteiro reparasse ou estivesse minimamente preocupado. Desde há uns anos, percebi que foi a minha doença que me levou a afastar das pessoas e não querer/conseguir criar grandes relações. Sempre achei que, qualquer pessoa que privasse comigo por mais de 24 horas, iria perceber que há qualquer coisa de muito errada comigo.  Aprendi a inventar desculpas. "Não posso!". "Não consigo nesse dia!" Ou a correr para as casas de banho entre eventos para poder realizar os meus rituais. A minha mente não para. Ela não para! Diariamente me alerta para perigos que julga ela serem eminentes. Todos os dias ela me diz que tenho de me preparar pa...

Ajuda-me, por favor!

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A minha saúde mental sofre um revés. Abandonei a terapia e a medicação. A minha irmã disse-me que eu tenho um preconceito com as doenças mentais, que se fosse um caso de diabetes tomaria a medicação sem levantar grandes questões. Talvez ela tenha razão. Mas não consigo estar em paz com o facto de depender dos comprimidos para me sentir bem. Se fosse só pela ansiedade, talvez aderisse ao tratamento com mais facilidade. Mas tratando-se da tristeza e do sentimento de vazio profundo, continuo a achar que tem de haver outra forma. Era para ter ido ontem ao ginásio, às aulas regulares e desafiantes de quarta-feira, mas não tinha energia física nem mental para isso. Obriguei-me a caminhar desde o Colégio Camões até ao metro das Olaias. E  obriguei-me, porque se simplesmente tivesse ido logo para casa teria uma vozinha a sussurrar ao meu ouvido o quão inútil eu sou.  Sou grata pelo que Deus me tem dado, mas sinto constantemente que não faço nada de valor e não estou a deixar grande le...

Senhor, estou cansada!

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Gostava de ser melhor pessoa. Gostava mesmo. Não para parecer bonito, não para vender essa imagem de mim mesma. Não. Eu sei, ou antes, acredito que o sermos melhores pessoas também nos torna pessoas mais felizes, mais compassivas connosco próprias e empáticas com a dor dos outros. Isso não significa sermos ignorantes ou permissivos, mas sim esforçarmo-nos por deixar o mundo um lugar um pouco melhor pela mudança que deve começar dentro de nós. (De certa forma, um cliché!) Pois bem, eu gostava de ser melhor pessoa, mas não sou. Nas últimas semanas tenho voltado a sentir uma tristeza enorme, uma sensação de despropósito. Sei que a palavra de Deus é um chapéu gigante que me protege das intempéries. Mas às vezes prefiro andar à chuva, porque não tenho força, não tenho vontade, não tenho motivação. Devia ser mais grata por todas as bênçãos que Ele me dá, mas nem sempre consigo. E logo volta a comparação onde eu caio sucessivamente. Tantas vezes acho que já dei um passo à frente só para re...

Parar

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Passados 10 anos ainda regresso aqui, a este espaço na blogoesfera que acaba por ser bastante solitário. Não espero contradições, nem que comentem que estou errada ou me equivoquei. Não há likes , não há reações boas nem más. É um espaço neutro. Gosto. E regresso aqui porque é o espaço seguro que consegui criar nos últimos dez anos. As últimas semanas têm sido emocionalmente exigentes e por isso preciso tanto do meu espaço seguro. No escritório não acendo as luzes e as cortinas estão para baixo. Podia abrir a boca e falar. Ou podia vir para aqui escrever impropérios. A propósito de impropérios lembrei-me, ainda hoje, de que há uns anos, num espaço similar, chorava baba e ranho e amuava com facilidade. Não quero voltar a ser essa pessoa! É por isso que este espaço aqui é tão bom. Liberto emoções neste lugar de interlocutores mudos. Não é preciso muito mais. Só quero parar. Saber parar, sem peso na consciência e contemplar o vazio e o silêncio.

Lisboa que nunca cessas de me interessar 💖

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The Chosen / Aprender com S. Pedro

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Tenho visto a série The Chosen . Consigo entender todos aqueles que se dizem transformados e também consigo entender quem alerta que algumas das interpretações carecem de fundamento bíblico. Da minha parte, aconselho a verem a série e a lerem a Bíblia. Ou melhor, a lerem a Bíblia e a verem a série. Pessoalmente, acho que me tem ajudado a reforçar a fé, mas concordo que devemos separar o que é bíblico da parte artística. A figura de Simão Pedro é um desses exemplos. Muita da visão criada em torno dele não vem da Bíblia. Não obstante, através da Bíblia conseguimos depreender uma personalidade um tanto ou quanto impulsiva, e creio que, na série, houve a tentativa de transmitir essa ideia — o que não considero mau. Simão Pedro, para mim, é fascinante porque foi um homem imperfeito. A clara imperfeição dele dá-me esperança de que haja esperança também para todos os outros imperfeitos deste mundo. Sim, somos imperfeitos, limitados e pecadores. Vivi muitos anos longe desta ideia. Durante...

Evangelho Segundo João 1:1-5

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1 No princípio era a  Palavra . A Palavra estava com Deus , e a Palavra era Deus. 2 Aquele que é a Palavra estava no princípio com Deus. 3 Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada foi criado . 4 Nele estava a vida, vida que era a luz dos homens . 5 A luz brilha nas trevas, trevas que a não venceram.

Domingo de Ramos

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Tenho-me refugiado na palavra Dele! Às vezes receio estar a passar a imagem de religiosa fanática. Não é o que pretendo, mas não posso negar aquilo em que acredito, nem deixar de partilhar aquilo que creio que pode tornar a vida melhor. Cada vez me apercebo mais de como é difícil para muitas pessoas falarem de Deus, inclusive aquelas que dizem acreditar Nele mas depois não parecem viver em consonância. [Isto para mim tem sido um gatilho e diariamente a minha mente se deixa envolver por críticas aos outros. Não o devo fazer, eu sei. É claramente algo a trabalhar!] Entretanto, estamos a viver a Semana Santa. No meu primeiro Domingo de Ramos celebrado em anos, desloquei-me à Igreja de S. Bartolomeu, no Beato. [Sim, ando a saltar de Igreja em Igreja! Faço isto em muitas outras situações. Também é algo que ainda não entendi em mim e que também tenho de trabalhar!] Comprei um raminho à porta da Igreja. O Senhor Padre abençoou os ramos enquanto todas as pessoas reunidas os erguiam. Fizemos de...

10 anos depois - "Hoje teria feito outras escolhas!"

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Quero parar! Parar a dúvida, o medo, a incerteza. Peço a Deus que me dê força e que afaste do meu coração a inveja, o rancor, a mágoa. Às vezes sinto-me pequenina num caminho insignificante. Mas tento combater esses maus pensamentos e focar-me no caminho que é o meu e que tem o seu valor. Escrevo neste blog há 10 anos e em 10 anos muita coisa mudou. Em 2015 eu via a vida de outra forma e as minhas prioridades eram outras. Queria algo que os 10 anos seguintes me mostraram que não seria possível, mas encontrei algo que em 2015 não sabia que iria querer, que iria precisar e que iria escolher. Encontrei Deus, ou Deus me encontrou.  Talvez para algumas pessoas isto seja nada, mas para mim é tudo! Conduzi ontem até casa, noite adentro, e percebi (e creio já o ter escrito antes) que quando retirei todas as minhas crenças que me trouxeram tanta dor, vi que "restava" Deus. Dizer "restava" pode parecer um pouco mau, como se me referisse a uma escolha por falta de opção. Mas n...

ELE está em todo o lado 🙏 - Estação Sete Rios

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Porque a vida não é só feita de "desertos"

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Para aqueles que andam no deserto há muito tempo… Para aqueles que acham que nada mais há para além do deserto… Para aqueles que se acham merecedores apenas dos desertos da vida, e de nada mais… Para aqueles que já se habituaram a definir-se apenas pelos seus desertos… E também para aqueles que julgam os outros pelos desertos que enfrentam e não pelas suas potencialidades… ….Há mais para além do deserto… Mas o deserto também faz parte porque é nele que, muitas vezes, aprendemos a reforçar a nossa fé. Vídeo Lamartine Posella