Círculos
É raro
voltar a reler o que escrevi. Tenho sempre a sensação de que soo a disco
riscado.
Sei que mudei ao longo destes anos e quero acreditar que terá sido para melhor. Ainda assim, sinto-me presa aqui dentro, na minha mente.
Gostava de conseguir ver e ver-me de outra forma. Mas sou repetitiva nos meus pensamentos, nas minhas ideias, e até bastante coerente, mas naquilo que não me convém.
Acho que é a isto que chamam de rigidez mental. Talvez por isso as minhas próprias palavras custam-me. Também elas se repetem e me aprisionam. Nem sempre encontro liberdade na escrita, mas às vezes é o único espaço que eu sinto que me resta.
Diariamente luto contra a sensação de que sou insuficiente e de que não encaixo no meio das pessoas, mas apenas fora delas, onde elas não estão, onde impera o silêncio.
Bem, dizer que “luto contra” se calhar nem é o mais correto. Na verdade, eu não luto contra. Deixo-me sim ir na corrente dessa sensação, desse pensamento, convencendo-me de que é o melhor. Sim, é o melhor para mim, não é?
Refugio-me tantas vezes no meu canto, mesmo que esteja rodeada de gente. Imagino-me numa bolha imaginária, reduzo ao mínimo qualquer forma de diálogo e embrenho-me no trabalho, papéis, faturas, e-mails… Talvez não seja o ideal, certamente não é o ideal, mas é tão difícil para mim fazer o inverso.
E questiono-me. Por que o faço?
Eu não acredito. Eu não acredito que seja digna ou merecedora de amor. Por isso autoexcluo-me. Se não sou digna, não me quero eludir. Não quero ter esperanças infundadas.
Podem dizer-me o contrário e eu racionalmente consigo ver que estou errada. Eu nunca diria a alguém que essa pessoa não é digna de ser amada, mas eu não me consigo incluir nesse pacote. É uma ideia que está tão embrenhada em mim, que não sei como expurgá-la. E regresso aqui imensas vezes, como se tivesse um grilo no meu ombro constantemente a segredar-mo ao ouvido. O aqui que é a minha mente… O aqui que são estas palavras…
Sei que mudei ao longo destes anos e quero acreditar que terá sido para melhor. Ainda assim, sinto-me presa aqui dentro, na minha mente.
Gostava de conseguir ver e ver-me de outra forma. Mas sou repetitiva nos meus pensamentos, nas minhas ideias, e até bastante coerente, mas naquilo que não me convém.
Acho que é a isto que chamam de rigidez mental. Talvez por isso as minhas próprias palavras custam-me. Também elas se repetem e me aprisionam. Nem sempre encontro liberdade na escrita, mas às vezes é o único espaço que eu sinto que me resta.
Diariamente luto contra a sensação de que sou insuficiente e de que não encaixo no meio das pessoas, mas apenas fora delas, onde elas não estão, onde impera o silêncio.
Bem, dizer que “luto contra” se calhar nem é o mais correto. Na verdade, eu não luto contra. Deixo-me sim ir na corrente dessa sensação, desse pensamento, convencendo-me de que é o melhor. Sim, é o melhor para mim, não é?
Refugio-me tantas vezes no meu canto, mesmo que esteja rodeada de gente. Imagino-me numa bolha imaginária, reduzo ao mínimo qualquer forma de diálogo e embrenho-me no trabalho, papéis, faturas, e-mails… Talvez não seja o ideal, certamente não é o ideal, mas é tão difícil para mim fazer o inverso.
E questiono-me. Por que o faço?
Eu não acredito. Eu não acredito que seja digna ou merecedora de amor. Por isso autoexcluo-me. Se não sou digna, não me quero eludir. Não quero ter esperanças infundadas.
Podem dizer-me o contrário e eu racionalmente consigo ver que estou errada. Eu nunca diria a alguém que essa pessoa não é digna de ser amada, mas eu não me consigo incluir nesse pacote. É uma ideia que está tão embrenhada em mim, que não sei como expurgá-la. E regresso aqui imensas vezes, como se tivesse um grilo no meu ombro constantemente a segredar-mo ao ouvido. O aqui que é a minha mente… O aqui que são estas palavras…

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