2026
O tempo passa. É factual e todos nós o reconhecemos. Mas, aos 44 anos, parece-me que não só a minha mente sabe disso, como também a minha pele grita em concordância. Quando era mais jovem, lamentava o tempo já ido das pessoas mais velhas, com uma certa condescendência, como se a idade só pudesse ser vista como um carma profundamente penoso. E, perante vidas alheias que eu não entendia e que não se enquadravam na minha perspetiva de felicidade, lamentava-lhes a sorte. “Eu não vou ser assim”, sussurrava entre dentes. Mas fui e, em certos momentos da minha vida, tenho estado mais próxima dessas vidas do que alguma vez imaginei. Lembro-me de pensar: “se eu não for assim” ou “se eu não tiver isto”, vou ser muito infeliz, por isso eu tenho de ser “deste jeito” e tenho de “ter isto”. Escusado será dizer que os meus planos saíram frustrados. Isso não me tornou numa pessoa necessariamente infeliz, mas também não me fez feliz. Hoje entendo que o ser humano tem uma enorme capacidade de se ajustar...