Mensagens

Mudei-me!

Imagem
Criei este blog há cinco anos. É um dos projetos pessoais do qual mais me orgulho. Falei sobre os meus sentimentos, medos, desejos e histórias. Mas como tudo na vida, chegou o momento de parar. Para avançar na minha caminhada, preciso de términos oficiais, perceber onde começou e onde acaba. Preciso de tomar decisões, vinculá-las e assumi-las. Por isso comunico a minha decisão de colocar um ponto final neste blog. Agradeço a todos os que me leram. Fizeram-me sentir especial. Grata por isso. Mudo-me agora para outras paragens. E vou recolher-me, ficar comigo, enfrentar os meus demónios, lidar com a minha tristeza e chorar se for caso disso. Acredito que posso sair uma pessoa melhor, não tão amarga, não tão rancorosa. As minhas desculpas a quem teve de lidar com o meu veneno de perto. Entendo o porquê de se afastarem. Estou a colher o que semeei e é tudo mais do que merecido. Espero que daí saia uma aprendizagem importante que minimize a atual dor da perda. Uma coisa que aprendi é ...

Férias Grandes

Uma das melhores lembranças que tenho de infância é das viagens de carro pela Europa que fazia com os meus pais e irmã nas férias grandes. Sei que na altura não valorizei. Eram viagens cansativas. Dormíamos no carro na ida e volta e acordávamos completamente partidos. Às vezes perguntava-me porque não eramos uma família normal, daquelas que abanca na praia a estorricar ao sol o dia todo. Os meus pais têm, claramente, bicho carpinteiro e eu, para o bem ou para o mal, recebi também essa herança. Lembro-me da primeira viagem grande a Paris, em 1996. Lembro-me de estarmos sentados frente ao hotel à espera que ele abrisse, completamente exaustos. Lembro-me de estar no banco de trás a olhar para o rosto do meu pai que intimamente esperava que tudo corresse bem. Lembro-me de a minha mãe olhar para ele com a mesma expectativa. Em 1996 os meus pais tinham praticamente a idade que eu tenho hoje. Ao recordar-me disto sinto por eles a maior gratidão do mundo. E talvez pareça estranho t...

...

Estranho que o isolamento assuste tanto as pessoas, quando muitos já vivem há muito em solidão.

Citação

Imagem
“Há uma época nas nossas vidas, geralmente na meia-idade, em que a mulher tem de tomar uma decisão – possivelmente a decisão psíquica mais importante da sua vida futura – que é a de se tornar uma pessoa amarga, ou não.” Clarissa Pinkola Estés (Imagem tirada da internet, pode ter direitos de autor)

Viagem

Imagem
Fecho os olhos. Acedo ao meu íntimo, vasculho nas profundezas do meu ser. Pego num pequenino barco a remos com uma lanterna pendurada na extremidade e sigo pelo rio das veias. Ao longe chegam-me vozes como ecos de palavras ditas por mim há anos e que agora regressam aos meus ouvidos. Há lodo encrostado nas paredes, mas também tímidos fachos de luz a quererem irromper como rebentos. O coração bate como um tambor a marcar o ritmo da viagem. Oiço-o a bater dentro de mim. Oiço-o a bater fora de mim. Forte, confiante. Grita-me do centro do peito: "- É para sentir tudo, sem medos!" Obedeço-me e sinto… tudo.

Nenhures

A noite vai chegar mas os passos não cessam. É caminhar até à exaustão. Chegará o momento de regressar, mas não será hoje. Não será hoje. O pôr do sol é para ser visto. O frio da tarde a entranhar nos ossos é para ser sentido. As ruas desertas são para serem encontradas. É no espaço onde pouco se vê e quase ninguém se encontra que eu me sinto viva. Escolho a minha loucura porque há momentos em que a sanidade mata mais depressa.

E sobe-se...

Imagem
E sobe-se.. passo a passo… Não se ouve vivalma na encosta e por momentos todos os intervenientes caminham em silêncio. Sob a luz do sol são iguais. Sob a luz do sol somos iguais. Destroem-se fantasias para extrair realidades, tocam-se em feridas para encontrar curativos. A caminhada é o purgativo da dor que une quem foi a quem é, passado e presente, a menina à mulher. - "Gostas de mim?" - pergunta-me a criança de cabelos encaracolados. - "Sim, gosto. Lamento ter-te feito acreditar que não gostava. Durante muito tempo foi mais fácil culpar-te a ti. Pensava que responsabilizando o passado, aliviava o meu presente, mas não se cura um presente sem se curar o passado." Olho-a nos olhos e agarro as suas mãos pequeninas: -"Fizeste o melhor que sabias!" Ela devolve-me o sorriso: - "E tu fazes o melhor que sabes! Perdoa-te para que eu me perdoe."