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Lídia

Durante muito tempo lamentei-me pela vida que tinha. Sentia-me presa à pessoa que mais odiava: eu mesma. Detestava tudo em mim. Os meus olhos que veem mal e me obrigavam a usar óculos, o meu cabelo incorrigível, o meu corpo imperfeito, a minha timidez que me calava quando devia falar, ou o péssimo sentido de oportunidade que me fazia falar quando devia estar calada, o meu leão pouco leão com uma faceta de caranguejo que insistia em viver o seu lado mais carente. Não havia ninguém que me tratasse pior do que eu mesma. Não entendia o meu propósito de vida. Não entendia o que andava cá a fazer. Tudo me parecia um castigo, uma punição. Perseguia algo que não sabia o que era e perdia-me numa dor que nem eu tinha a certeza se tinha estatuto de dor. Mendigava atenção e amor e apagava-me em cada entrega ao achar que qualquer coisa que eu tentasse aparentar ser era melhor do que mostrar quem eu era na realidade. Se eu não gostava de mim, como podiam os outros gostar? Mas se eu fosse o...

Dança sem parar

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Danço e danço e redopio em cima dos meus saltos altos. E volto a girar. Esqueço o mundo, o que me inquieta, o que me tira o sono, o que me priva da paz, e continuo a dançar entre risadas e abraços. Mais um passo para a direita. Mais um passo para a esquerda. Danço, danço sem pensar. E quando paro de dançar imagino-me a não parar.

Reparações [Citações]

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Momentos simples

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Sentei-me debaixo da minha árvore preferida. Ainda se encontrava despida, vazia de folhas, mas cheia de sabedoria. Fechei os olhos. Sentia o sol a bater, a aquecer. Não se ouvia nada. É raro encontrar um canto destes em Lisboa em que não se oiça nada! Deixei-me ficar embalada pela brisa suave e pelo ocasional cantar dos rouxinóis ao longe. Não peço mais nada hoje. Isto chega-me, um simples momento da existência. P.S. Sem filtros porque a natureza não precisa de filtros.  

Ver [-me]

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Tenho caminhado. A cada passo dado tento esvaziar a mente das preocupações. A cada passo dado tento libertar o coração das mágoas. Quando por fim chego ao Cais do Sodré sinto-me uma pessoa nova. Ao de fim de algumas semanas desta rotina, começo a estranhar-me. Sou eu mesma mas, de algum modo, já não sou a mesma. Nunca a exclusão me serviu como hoje. Nunca o silêncio me tornou tão consciente. Nunca a minha companhia me soube tão bem. Achava que o momento seria de perda, mas é de ganhos. Estou a ver-me. Estou a rever-me. Estou a reencontrar-me.

Quando

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Quando dá mais medo, insiste. Quando dá mais raiva, ama. Quando dá mais tristeza, sorri. Quando dá mais desilusão, perdoa. Quando tudo parece complexo demais, simplifica. Quando te apetece desistir, resiste. A vida são dois dias e não há tempo a perder.

Redenção

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Das 24 horas diárias, excluindo as 8 para dormir, tenho reservado as restantes 16 para estados de cólera. Como se verifica com o tempo mais agreste, também há momentos de céu limpo ou clareza de espírito. Ínfimos segundos! Tento nesses segundos corrigir todas as restantes horas de agressividade, para, não raras vezes, o lamentar logo de seguida. Sim, é difícil! Qual o lado bom? Redenção, pedir desculpa é sempre bom mesmo que o ego deteste. E vale a pena. Ajuda o outro e a nós mesmos. Falamos tantas vezes no que pesa, no fardo que carregamos às costas, mas raramente mostramos disponibilidade em deixar o fardo para trás. Somos burros de carga por opção! Não admira que a caminhada seja tão lenta. Não há ninguém a atrasar-nos o passo a não ser nós mesmos.