Da vergonha
Tenho POC. Não tenho vergonha de ter POC, mas sim daquilo em que o POC me torna. Na semana passada voltei às minhas caminhadas, e soube-me bem. Voltei a sentir uma alegria que às vezes me acompanha quando me aventuro por Lisboa, mas que nem sempre consigo encontrar — principalmente nos últimos tempos. Mas o pensamento lá esteve. É uma vozinha maliciosa que me segreda aos ouvidos mil e uma tragédias hipotéticas. Só há uma forma de acabar com os cenários imaginários — de forma provisória, claro, porque passada uma hora eles voltam. A compulsão surge aí, nesse momento. Pareço uma drogada, presa a um vício mental. E aí sinto vergonha. A minha psicóloga deu-me um exercício para fazer. Falhei, como já sabia que iria acontecer. Ridículo aos olhos de qualquer pessoa minimamente normal, mas também aos meus próprios olhos — ainda que eu pouco tenha de normal. O desafio dela obrigou-me a estar muito consciente de quando as obsessões chegam. Quero calar a voz, mas ela não cala. Quero acabar ...