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Da vergonha

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Tenho POC. Não tenho vergonha de ter POC, mas sim daquilo em que o POC me torna. Na semana passada voltei às minhas caminhadas, e soube-me bem. Voltei a sentir uma alegria que às vezes me acompanha quando me aventuro por Lisboa, mas que nem sempre consigo encontrar — principalmente nos últimos tempos. Mas o pensamento lá esteve. É uma vozinha maliciosa que me segreda aos ouvidos mil e uma tragédias hipotéticas. Só há uma forma de acabar com os cenários imaginários — de forma provisória, claro, porque passada uma hora eles voltam. A compulsão surge aí, nesse momento. Pareço uma drogada, presa a um vício mental. E aí sinto vergonha. A minha psicóloga deu-me um exercício para fazer. Falhei, como já sabia que iria acontecer. Ridículo aos olhos de qualquer pessoa minimamente normal, mas também aos meus próprios olhos — ainda que eu pouco tenha de normal. O desafio dela obrigou-me a estar muito consciente de quando as obsessões chegam. Quero calar a voz, mas ela não cala. Quero acabar ...

Caminhadas felizes 🙏

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Lisboa

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Tem sido difícil pensar, sentir e até respirar. Mas ontem, por instantes, enquanto sentia o sol e mais uma vez me maravilhava com a beleza desta cidade, senti-me bem.

Das Travessias

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Estou a tentar melhorar. Estou a tentar ter maior consciência dos meus processos internos, dos meus traumas, das minhas dores. Mas nada é imediato e eu ainda anseio que tudo se processe quase que por milagre e de forma imediata. A minha mente tenta resistir a certos padrões. Apercebo-me disto. Mas há um espaço ainda grande que medeia a consciência e a mudança do hábito. E a verdade é que isto me deixa esgotada. O problema e a cura. As obsessões e as compulsões cansam-me. Tentar lutar contra elas, cansa-me. O trabalho tem vindo a tornar-se num problema, quando durante muito tempo não o foi. E agora é um problema a juntar a outros. O que não funciona, não funciona. O que parecia funcionar, parece não funcionar mais, e sinto um peso enorme nas minhas costas. Os momentos de ansiedade são frequentes, intercalados por breves instantes de alguma calmaria. Talvez esteja a complicar o simples, a dramatizar em demasia, a aumentar problemas menores. Mas esta é a minha perspetiva do que me ro...

Tenho P.O.C. [2]

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Tenho P.O.C. Perturbação Obsessiva-Compulsiva. Ou a P.O.C. tem-me. Os profissionais de saúde costumam dizer que nós não somos as nossas doenças mentais. Às vezes custa-me acreditar nisto. Sou assim deste há muitos anos. Os primeiros sintomas surgiram ainda na adolescência. Claro que na altura eu não sabia que tinha uma doença. Pensava apenas que era uma pessoa estranha. Pensava que tinha uma particularidade única e, de tão absurda que era, não conjeturava que pudesse haver mais alguém neste mundo que fosse como eu. Roberto Carlos, cantor brasileiro, é portador desta doença. Acho que lhe devo agradecer por ter descoberto que aquilo que eu fazia de “estranho” afinal era consequência de uma perturbação que afetava a minha mente. Em 2009, descobri o conceito e identifiquei-me com algumas das características. Há vários tipos de P.O.C. e subtipos. Nem todos os doentes têm as mesmas obsessões e nem todos os doentes desenvolvem as mesmas compulsões. Mas hoje entendo que há mais pessoas com...

Pausas

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Passou cerca de um mês da última publicação. Fiz anos entretanto. Fui de férias. Tive de mudar a bateria do meu carro novo. Iniciei as consultas com a nova psicóloga. Regressei aos treinos. Fui à missa no último Domingo. Não necessariamente por esta ordem. A par disto, tenho sido acompanhada por uma enorme ansiedade. Tenho dificuldade em dormir uma noite inteira e não consigo relaxar. Como a minha irmã concretizou tão bem, eu estou constantemente em modo de alerta.  Quero voltar aos momentos em que me sentia em paz e mentalmente teletransporto-me para as caminhadas junto ao Parque da Bela Vista. Lembro-me especificamente desta caminhada, de mochila às costas e a sentir-me nada cansada por estar a caminhar em dia de calor. Atualmente, até caminhar me cansa. Não tenho a mesma resistência que tinha há dois anos. Não sei se isto se deve a um cansaço físico ou é apenas consequência dos meus estados mental e emocional. Na maioria das vezes, busco refugir-me na minha casa e evitar grandes...

"CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS", autoria Padre João Torres

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Transcrevo, por completo, este texto do Padre João Torres para que me acompanhe quando me surgem tantas dúvidas de como viver a Fé de forma mais saudável. CORAÇÃO DURO EM NOME DE DEUS Há quem fale muito de Deus… Mas o tenha esquecido no coração. À força de rezas e renúncias, de jejuns e silêncios, de hábitos e normas, há quem tenha secado por dentro. E não é culpa da oração. É que quando a fé deixa de ser encontro e se torna desempenho, o coração deixa de ser altar e vira tribunal. Tantos se dizem homens e mulheres de Deus, mas vivem mais atentos às falhas alheias do que às dores que passam ao lado. Tantos se consomem a medir saias, julgar gestos, pesar palavras, mas esquecem o abraço, a escuta, a ternura. Vivem a observar… mas não veem. A fé não foi feita para endurecer. Foi feita para nos humanizar. Não é a santidade que nos afasta do mundo — é a ausência de compaixão que nos isola. De que serve rezar longas horas se não somos capazes de pedir perdão a quem magoámos? De que serve com...