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Tempo

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Aprender leva tempo. Crescer leva tempo. Amadurecer leva tempo. Não dá para apressar os processos, nem tornar célere um tempo que requer o seu próprio tempo. Tantas vezes dei por mim a queixar-me da lentidão da minha marcha para posteriormente entender que eu não estava preparada para nada a mais nem a menos do que aquilo que me era dado ou negado pela vida. E vou aprendendo com o que tenho, com o que não tenho, com o que encontro no caminho, com o que perco, com o que me faz rir, com o que me faz chorar. Vou aprendendo com vontade e outras tantas vezes aprendo a contragosto. E até através do que não gostaria de aprender, percebo que aprendo o que preciso.

Peço desculpas!

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Desculpas são devidas. Desculpas tardias que requereram da minha parte um trabalho enorme. Sinto-me atualmente extremamente calma. Mas há uns anos o cenário era diferente. A raiva que sentia dentro de mim era enorme. Reagia por impulso, proferia palavras cruéis e magoei pessoas no caminho. Hoje tive consciência do que deveria ter feito de diferente: - Ser honesta comigo, em relação ao que sentia e pensava para que também essa honestidade se manifestasse no meu relacionamento com os outros; - Não descarregar nos outros a minha incapacidade em lidar com as minhas emoções e a minha frustração; - Se tudo isso falhasse, ter a capacidade de pedir perdão mesmo que o perdão não me fosse concedido. Percebo que sempre tive dificuldade em lidar com o que sinto e pedir desculpas, para que do outro lado só viesse o silêncio, era algo que para mim era incomportável.  Ao falar disto com a minha melhor amiga, ela disse-me que, no fundo, eu escolhi o caminho mais longo. Acredito que sim. Mas essa e...

A viver a água

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A viver a água, a emoção, o burburinho mental, o ciclo, a mulher, a criação, a dúvida, a busca, as partes mais escondidas,  o outro lado da moeda, o outro lado do palco, as travessas, as ruas desertas. Este meu EU que pretende conhecer-se na sua plenitude mergulha tanto nas águas calmas como no lodo. Este EU ri e chora. Este EU sente e sente-se na sua feminilidade às vezes sem jeito. Este Eu fragmenta-se e remenda-se. É Um que vira o Reverso e do Reverso regressa ao Um sem ser o Um que era. Tão real é um como outro. Ambos necessários.  É o retorno constante e mensal ao pântano dos despojos, dos restos, das sobras e das sombras, dos abandonos e recomeços.  Hoje é uma Noite, mas amanhã será um Dia. Hoje é Lua, mas amanhã será um Sol.

Guerras Interiores

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A guerra estende-se há mais de um mês na Ucrânia. O preço dos combustíveis superou os 2€ por litro. Poeiras do Deserto do Saara passaram por Portugal há umas semanas. Fala-se na possibilidade de uma 6.ª Vaga da Covid. Os Óscares, que se realizaram esta madrugada, ficaram marcados pela bofetada que Will Smith deu a Chris Rock. O mundo está um caos, mas esse caos exterior é um reflexo do caos que existe no ser humano. A raiva que se destila nas redes sociais é um resultado da nossa raiva interna. A violência de que se fala nos noticiários é uma imagem da violência que encontramos em nós. Não dá para mudar o mundo sem que esse trabalho de mudança se inicie em cada ser humano. Gandhi sintetizou bem esta ideia 👇

Oiço

Oiço. Observo. Deixo-me estar neste canto de terra escondido, desconhecido, ignorado. A melodia divina é audível, a arte poética natural que presenteia a minha alma. São estes momentos que enriquecem os meus dias e dão folgo à minha caminhada. Questionei-me porque prezo tanto estes instantes só meus. É exatamente por serem meus. Não os locais por onde passo, mas o que sinto ao passar por estes locais. A emoção é minha. A introspeção é minha. O sorriso esboçado a olhar para o céu é o meu. Tudo isto levarei um dia comigo. A memória, a lembrança de um tempo simples.

Navego este meu barco...

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Há um vai e vem de emoções e pensamentos. Navego este meu barco, às vezes em segurança, outras vezes com receio de que o mar se torne revolto. Mas entre um tempo e outro, sinto que há uma maior consciência que não me deixa receosa perante a intempérie, nem me torna demasiado comodista quando a tranquilidade ganha forma nas águas. Já passaram alguns meses e sinto-me mais forte. Mais forte na minha essência, na minha pele, na minha verdade. Comunico menos com o exterior, mas comunico muito mais com o meu interior. Não sei se era exatamente isto que a vida me queria ensinar, mas seja este o pináculo da minha existência, ou não, já me dou por orgulhosa do caminho que percorri.

Diário de Bordo

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O ntem em conversa com a minha melhor amiga, e enquanto debatíamos a veracidade das nossas próprias crenças, comentava com ela que no fundo acredito no que preciso de acreditar para que a vida seja mais fácil. Talvez todos nós façamos o mesmo e damos vida àquelas ideias que, mesmo não podendo ser comprovadas pela razão, nos dão um sentido, a nós mesmos, à vida que temos e para onde a vida nos parece empurrar. Sei realmente muito pouco. E inclusivamente, ainda que possa reconhecer e dar um nome aos meus desafios, isso não significa necessariamente que consiga aprender, superar ou integrar aquilo que me é pedido. Então, o que é real? O que podemos afirmar com certeza absoluta que é real? Não sei. Talvez nada. Às vezes nem eu sei se sou real ou se o sou, nem sempre acredito piamente que os outros o sejam também. Enfim, trata-se de um mero desabafo que não me traz peso. Não procuro respostas definitivas para a existência humana e sei que há muito que não sei. Não enalteço o meu des...